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PF vai periciar dinheiro apreendido com Jaques Wagner

Polícia Federal analisa dólares e euros apreendidos para checar versão do senador sobre diárias pagas pelo Senado

Dólares e relógios apreendidos pela Polícia Federal (Foto: Polícia Federal)
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247 - A Polícia Federal vai submeter a perícia os dólares e euros apreendidos em endereços ligados ao senador Jaques Wagner (PT-BA) para verificar a origem dos valores e checar se o montante é compatível com a justificativa apresentada pelo parlamentar, informa o jornal O Globo.

Foram encontrados US$ 55.175 e 33,5 mil euros, valor equivalente a cerca de R$ 482 mil. A PF pretende analisar a numeração de série das cédulas, considerada uma espécie de identificação individual do dinheiro, para verificar se as notas correspondem às que teriam sido sacadas em viagens oficiais do senador.

A investigação busca comparar os valores apreendidos com os pagamentos de diárias recebidos por Wagner desde 2019, início de seu mandato. De acordo com dados do Portal da Transparência do Senado, o parlamentar recebeu R$ 336.966,24 em diárias para viagens oficiais entre 2019 e 2026. O montante encontrado em moeda estrangeira supera esse total em 43%.

A maior parte do dinheiro foi localizada em Brasília. Agentes da PF apreenderam US$ 49 mil em espécie em um quarto do hotel Brasília Palace, onde Wagner costuma se hospedar quando está na capital federal. Em Salvador, foram encontrados outros 33,5 mil euros e US$ 6.175 em um endereço ligado ao senador.

As buscas ocorreram na quinta-feira (18), durante a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de favorecimento ao Banco Master. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na decisão que embasou a operação, Wagner é apontado como possível “beneficiário central” de “vantagens econômicas” supostamente concedidas por integrantes do Banco Master em troca de atuação parlamentar em temas de interesse da instituição financeira. Entre os benefícios citados pela Polícia Federal estão o suposto custeio de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões em Salvador, o uso de aeronaves particulares e ingressos para um show em Los Angeles.

O senador nega irregularidades e afirma que não é alvo de acusação formal no caso. Em manifestação pública, disse que “não é réu, não foi denunciado nem acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados”.

Em entrevista à BandNews após a operação, Wagner afirmou que o dinheiro apreendido tem origem em diárias acumuladas que não foram utilizadas e em moeda estrangeira comprada por ele para viagens internacionais.

“Eu várias vezes viajei para o exterior. De 2019 para cá, eu recebi de diárias aproximadamente 70 mil dólares. E outras vezes que eu fui viajar eu comprei, via Banco do Brasil, onde eu tenho conta, dólares ou euros para fazer a viagem. Eu não tenho nenhuma coisa para esconder. Esse dinheiro está guardado no cofre. Quando vou viajar, nem sempre eu levo a diária, às vezes eu gasto com cartão e, portanto, o dinheiro está lá”, declarou o senador.

Wagner também afirmou que parte das cédulas recebidas como diárias estaria guardada em envelopes com timbre do Senado. Após a operação, sua assessoria informou em nota que os valores encontrados são resultado de “diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais”.

Posteriormente, o gabinete do parlamentar disse que o montante apreendido reúne recursos oriundos de diárias e moeda estrangeira comprada pelo próprio senador. A equipe, porém, não detalhou qual parcela corresponde a cada uma dessas origens.

Ao jornal O Globo, o Senado informou que as diárias são repassadas aos beneficiários por meio de ordem bancária, via Banco do Brasil. Segundo a Casa, o pagamento pode ser feito por crédito em conta ou em espécie, a critério do interessado.

O Senado também explicou que as diárias têm caráter indenizatório e são pagas antecipadamente para cobrir despesas com hospedagem, alimentação e deslocamento. Pelas regras informadas pela Casa, a devolução dos valores só é exigida quando a viagem não ocorre ou quando o beneficiário retorna antes do período inicialmente previsto.

A perícia da Polícia Federal deverá examinar a numeração das cédulas e outros elementos capazes de indicar a origem do dinheiro apreendido. A análise poderá ajudar os investigadores a avaliar se a versão apresentada por Wagner corresponde aos registros de pagamentos e saques vinculados às viagens oficiais.

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