PF corrige relatório e afasta elo entre Beto Louco e suposto repasse de Vorcaro a Ciro Nogueira
Polícia Federal corrige relatório após admitir erro material em investigação sobre voo de Beto Louco e mensagens atribuídas a Vorcaro
247 - A Polícia Federal retificou um relatório do Caso Master e afastou a relação temporal que havia sido apontada entre um voo com o empresário Roberto Leme, conhecido como “Beto Louco”, e mensagens sobre um suposto repasse de R$ 350 mil do banqueiro Daniel Vorcaro ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), segundo Igor Gadelha, do Metrópoles.
A correção consta de uma nova petição anexada ao inquérito. No documento, a PF reconhece ter cometido um “erro material” ao indicar que o voo em que Beto Louco teria seguido para Brasília com um malote de dinheiro coincidiria com conversas entre Vorcaro, dono do Banco Master, e seu cunhado, Fabiano Zettel, sobre o suposto pagamento ao senador.
Na análise original, os investigadores haviam cruzado mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro com o depoimento do piloto Mauro Caputti Mattosinho, da Táxi Aéreo Piracicaba. O piloto relatou ter transportado Beto Louco em um voo no qual havia um malote de dinheiro. Ainda de acordo com o depoimento, o empresário teria mencionado diversas vezes que “Ciro” estaria esperando em Brasília.
A reavaliação do material, no entanto, apontou que os fatos ocorreram em datas diferentes. De acordo com a PF, o voo com Beto Louco foi realizado em 6 de agosto de 2024. Já a conversa entre Vorcaro e Fabiano Zettel ocorreu em 6 de agosto de 2025, um ano depois.
“Em razão disso, afasta-se a correlação temporal direta anteriormente sugerida entre o voo realizado em 06/08/2024 e as conversas que tratam de valores em espécie, uma vez que tais comunicações são posteriores ao referido deslocamento aéreo”, afirma o relatório da PF.
Beto Louco é um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto, investigação que apura fraudes no setor de combustíveis. A retificação feita pela PF, porém, limita-se ao aspecto temporal da análise anterior e não representa uma conclusão definitiva sobre os fatos investigados.
No novo documento, a corporação ressaltou que a correção não invalida outros pontos da apuração. A PF afirmou que seguem válidos tanto o registro do voo realizado por Beto Louco quanto a existência das conversas que mencionam valores em espécie relacionados a Ciro.
“Destaca-se que a correção ora comunicada não implica juízo conclusivo acerca da materialidade ou da destinação dos valores mencionados, tampouco invalida outras análises constantes da IPJ, devendo o equívoco ser considerado apenas sob o aspecto temporal anteriormente exposto”, diz a Polícia Federal na petição.
Com a retificação, a PF afasta a conexão cronológica direta que havia sido sugerida anteriormente entre o deslocamento aéreo de 2024 e as mensagens de 2025.



