PF retifica relatório que citava malote de dinheiro em avião de Vorcaro para Ciro Nogueira
Correção enviada ao Supremo afasta ligação temporal entre conversa e viagem investigada
247 - A Polícia Federal (PF) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que corrigiu um erro identificado em relatórios utilizados em uma investigação que envolve o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas. A retificação, elimina uma associação temporal feita inicialmente entre mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e um voo investigado que transportou o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco.
Segundo a PF, a correção não altera a existência dos fatos investigados, mas afasta a conclusão de que os episódios ocorreram na mesma data. As informações são da coluna da jornalista Malu Gaspar, de O Globo.
PF corrige cronologia apresentada ao STF
Nos documentos originais encaminhados à Corte, os investigadores haviam relacionado uma conversa entre Daniel Vorcaro e seu cunhado e operador financeiro, Fabiano Zettel, sobre um suposto pagamento em espécie de R$ 350 mil a Ciro Nogueira com um voo fretado entre São Paulo e Brasília.
Posteriormente, durante uma reanálise dos elementos reunidos no inquérito, a PF constatou que houve um erro na indicação das datas. O diálogo ocorreu em 6 de agosto de 2025, enquanto o voo investigado aconteceu em 6 de agosto de 2024.
A correção foi encaminhada ao STF em 28 de abril, antes da realização da operação policial. Em seguida, a informação foi reiterada ao ministro André Mendonça, relator do caso.
No documento enviado ao Supremo, a PF afirmou que “a inconsistência foi verificada durante reanálise dos elementos constantes dos autos e refere-se exclusivamente à indicação temporal de comunicações utilizadas na análise.”
A corporação acrescentou que “entretanto, a partir de reavaliação detalhada do material extraído, constatou-se que houve equívoco na indicação do ano das referidas comunicações, tendo sido verificado que os diálogos ocorreram, na realidade, em 06/08/2025, e não em 06/08/2024 (data do referido voo), como inicialmente consignado.”
Conversas sobre pagamento foram mantidas na investigação
Apesar da correção, a Polícia Federal sustentou que o erro não compromete as demais linhas de investigação nem invalida os elementos já reunidos. Segundo os investigadores, a falha teve caráter exclusivamente material e restrito à cronologia dos fatos.
“Por fim, destaca-se que a correção ora comunicada não implica juízo conclusivo acerca da materialidade ou da destinação dos valores mencionados, tampouco invalida outras análises constantes da IPJ [informação de Polícia Judiciária], devendo o equívoco ser considerado apenas sob o aspecto temporal anteriormente exposto”, informou a PF.
Os relatórios apontam que Vorcaro teria cobrado de Zettel a realização de pagamentos relacionados a Ciro Nogueira durante o período em que o Banco Master negociava a venda de parte de seus ativos ao Banco de Brasília (BRB). “Resolve Ciro e galerias hoje. Manda agora lá”, escreveu Vorcaro em uma das mensagens reproduzidas pela investigação.
Na sequência, Zettel relaciona pendências financeiras e menciona expressões como “Nota Ciro mais impostos 2” e “Espécie Ciro 350k”, referências que passaram a ser analisadas pelos investigadores.
Voo com Beto Louco continua sob apuração
A hipótese inicial da PF era de que o valor mencionado nas conversas pudesse ter sido transportado em um voo realizado por uma aeronave Gulfstream G150, prefixo PR-SMG, pertencente à Táxi Aéreo Piracicaba (TAP).
Com a correção das datas, a corporação afastou a coincidência temporal entre os dois episódios, embora ambos continuem sob análise.
Segundo depoimentos atribuídos ao piloto Mauro Caputti Mattosinho, que trabalhou na empresa até setembro de 2025, Beto Louco teria mencionado o nome de Ciro Nogueira diversas vezes durante uma viagem entre São Paulo e Brasília.
Beto Louco é investigado na Operação Carbono Oculto e permanece foragido da Justiça brasileira. De acordo com a Polícia Federal, seu último paradeiro conhecido foi identificado na Líbia, no norte da África.
As investigações também apuram possíveis conexões entre o esquema investigado e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), vínculo que é negado pela defesa do empresário.



