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'Ciro Nogueira e a família Bolsonaro se juntaram a um gângster', dispara Uczai em referência a Daniel Vorcaro

Deputado cita nova investigação da PF, que apontou mesada de R$ 6 milhões do ex-banqueiro para o parlamentar do Centrão

Pedro Uzai, Eduardo, Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro (Foto: Agência Câmara I Adriano Machado/Reuters I Rovena Rosa/Agência Brasil I Reprodução)
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247 - O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), disparou críticas nesta quinta-feira (18) ao presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PP-PI), à família Bolsonaro e ao controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Em postagem na rede social X, o petista reforçou que, segundo a Polícia Federal, o parlamentar do Centrão teria recebido ao menos R$ 6 milhões em uma suposta mesada paga pelo ex-banqueiro, conforme destacou o jornal Folha de S.Paulo

“As novas informações mostram que a relação entre Ciro, Vorcaro e a família Bolsonaro não é nenhuma coincidência, nem nenhuma novidade”, escreveu Uczai. “Enquanto um era ‘amigo’ de Vorcaro, o outro era ‘irmão’. O que eles têm em comum? Negócios com o banqueiro, que tinha uma vida de gângster e estava envolvido em diversos crimes! É por isso que esse escândalo se chama Bolsomaster”, acrescentou.

O deputado do PT continuou. “A PF disse que Ciro Nogueira recebeu, pelo menos, R$ 6 milhões em propina de Vorcaro! É importante lembrar: Ciro Nogueira é ex-ministro de Jair Bolsonaro, que, assim como Flávio Bolsonaro, mantinha uma relação íntima com Daniel Vorcaro, do Banco Master, sendo chamado pelo ex-banqueiro de ‘o grande amigo da vida’ e com quem foi fotografado abraçado!”, postou.

Detalhes

A PF identificou uma rede de empresas, familiares, servidores públicos, terceiros e movimentações em dinheiro vivo que teria ocultado pagamentos de Vorcaro a Ciro Nogueira. 

Os investigadores analisaram Relatórios de Inteligência Financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e apontaram a existência de um “circuito integrado” entre empresas das famílias Nogueira e Vorcaro. A apuração cita, em especial, a CNLF, ligada ao senador, e a BRGD, controlada por Daniel Vorcaro e seus parentes.

A PF afirma que esse fluxo teria viabilizado repasses de pelo menos R$ 6 milhões entre 2024 e 2025. Esse período coincide com o agravamento da crise do Banco Master e com iniciativas ligadas à tentativa de preservar os negócios de Vorcaro.

Proximidade

Investigações já apontaram indícios de proximidade entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro. Entre os elementos citados estão pagamentos de diárias em hotéis de luxo em Nova York e na Europa, viagens conjuntas e repasses em dinheiro vivo. Segundo a PF, Vorcaro se referia ao senador como “grande amigo de vida”. 

A PF aponta uma possível estratégia de lavagem de dinheiro por meio de estruturas empresariais recorrentes e interligadas. Os investigadores afirmam que esse mecanismo teria envolvido empresas familiares, circulação interna de valores, uso intenso de dinheiro em espécie e atuação de terceiros, inclusive agentes públicos.

Empresas CNLF e CN Motos teriam desempenhado papel central nesse fluxo. A primeira tem Ciro Nogueira e quatro familiares como sócios. A segunda, que atua na venda de motocicletas, tem o senador e mais dois sócios. Na avaliação da PF, essas companhias teriam recebido valores ilícitos, misturado esses recursos a receitas formais e redistribuído o dinheiro dentro do grupo familiar e empresarial ligado ao senador. A investigação trata Ciro Nogueira como possível beneficiário final da engrenagem financeira.

Os relatórios do Coaf citados pela PF mencionam Ciro Nogueira diretamente e, segundo a Folha, somam mais de R$ 13 milhões em movimentações financeiras suspeitas dentro da rede investigada. A apuração também cita repasses feitos por meio da fintech PJBank, que, conforme os investigadores, teria enviado R$ 3 milhões ao grupo do senador entre 2020 e 2025.

Depósitos em espécie

Outro ponto citado pela investigação envolve depósitos em espécie na CN Motos. Um funcionário chamado Bernardo realizou R$ 3,5 milhões em depósitos para a empresa em períodos próximos a transferências posteriores da companhia para a pessoa física do senador. Os registros do Coaf também indicam que a empresa de motocicletas recebeu ao menos R$ 1,2 milhão de servidores públicos com atuação no Piauí, no Maranhão e em estruturas da União. 

A apuração ainda menciona pessoas com renda formal baixa ou histórico de recebimento de benefícios sociais que movimentaram valores considerados incompatíveis. Em um dos casos, uma pessoa que recebia R$ 2.000 por mês transferiu R$ 90 mil para a CN Motos em um ano. Em outro, alguém que recebeu auxílio emergencial durante a pandemia pagou R$ 143 mil à empresa no mesmo período.

A PF também identificou transações entre a CN Motos e uma pequena empresa de Teresina, com capital social de R$ 20 mil, além de pagamento de R$ 357 mil feito pelo deputado federal Jadyel Alencar (Republicanos-PI). Procurado pela reportagem, ele afirmou que o valor correspondia a parte da compra de um avião.

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