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Planejamento de filme sobre Jair Bolsonaro previa cotas de US$ 1 milhão e chance de imigração para os EUA

Investigação apura se recursos do filme, que contou com dinheiro de fundos ligados a Daniel Vorcaro, financiaram despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA

Eduardo Bolsonaro, Daniel Vorcaro, Flávio e Jair Bolsonaro (Foto: Jessica Koscielniak/Reuters I Reprodução I Divulgação )
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247 - Um plano de investimentos ligado ao filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL), oferecia a investidores milionários a possibilidade de "oportunidade de imigração" para os Estados Unidos. Segundo o site The Intercept Brasil, a proposta fazia parte do pacote mais caro de investimento no longa-metragem, avaliado em US$ 1,1 milhão, equivalente a cerca de R$ 5,5 milhões na cotação atual.

A reportagem aponta que o projeto cinematográfico tem o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como produtores-executivos. O contrato da produção recebeu assinatura digital de Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024.

Estratégia previa cotas milionárias

O plano de captação de recursos do filme foi estruturado em diferentes categorias de investimento. Segundo os documentos revelados, a produção previa a venda de 40 cotas de US$ 500 mil, totalizando US$ 20 milhões.

Além disso, também estavam previstas cinco cotas de US$ 1 milhão cada. Os investidores que adquirissem os pacotes mais elevados teriam direito a participação no conselho do filme, podendo opinar sobre decisões relacionadas à produção.

De acordo com a reportagem, a proposta prometia aos investidores o retorno integral do valor aplicado, acrescido de 20%. Após os pagamentos, o lucro remanescente seria dividido igualmente entre produtores e investidores. O material ainda apresentava projeções otimistas de arrecadação mundial para o longa, com cenários estimados em US$ 45 milhões, US$ 70 milhões e até US$ 100 milhões.

Investigação mira destino dos recursos

Uma das principais linhas de investigação busca esclarecer se os recursos captados para o filme foram efetivamente destinados à produção cinematográfica. A Polícia Federal apura se as transferências financeiras teriam servido para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O deputado licenciado vive no país desde fevereiro do ano passado e não retornou ao Brasil desde então.

Contrato detalha papel de Eduardo Bolsonaro

Os documentos revelados pela reportagem apontam que Eduardo Bolsonaro e Mario Frias assumiram funções diretamente ligadas à captação de recursos para o projeto. O contrato estabelece que os produtores-executivos deveriam atuar no “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores”.

O texto também menciona atividades relacionadas à busca de incentivos fiscais, patrocínios, colocação de produtos e outras formas de financiamento para a produção.

Caso envolve banqueiro preso pela PF

A investigação também envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso em Brasília sob acusação de liderar um esquema bilionário de fraudes financeiras, segundo a Polícia Federal. Vorcaro teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões relacionados ao projeto cinematográfico. O The Intercept Brasil também divulgou um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro pressiona Vorcaro pelos pagamentos ligados ao filme.

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