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Polícia Federal prende operador financeiro ligado ao Careca do INSS

Alexandre Moreira da Silva, um dos operadores financeiros do esquema investigado na Operação Sem Desconto, foi preso por ordem de André Mendonça

Empresário Antônio Carlos Camilo Antunes (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

247 – A Polícia Federal prendeu, nesta quarta-feira (11), Alexandre Moreira da Silva, apontado pelas investigações como um dos operadores financeiros de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura desvios bilionários de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social.

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, Silva era um dos últimos foragidos da investigação, que mira um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários e alcança nomes ligados ao Ministério da Previdência Social e ao Senado. A apuração é conduzida pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU).

De acordo com a PF, Alexandre Moreira da Silva participou da operacionalização de fraudes envolvendo descontos não autorizados sobre aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. As investigações também apontam que ele teria atuado na ocultação de recursos obtidos de forma ilícita, contribuindo para a manutenção do esquema.

Em nota, a corporação informou: "Policiais federais realizaram a prisão após minucioso trabalho de investigação e levantamentos que permitiram localizar o investigado". A PF não citou o nome do suspeito no comunicado oficial, mas confirmou que o preso foi encaminhado para a unidade da instituição em São Paulo, onde deverá passar por audiência de custódia.

A prisão preventiva foi decretada por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça. Alexandre Moreira da Silva era procurado desde dezembro, quando seu nome passou a constar entre os alvos da ofensiva policial contra a rede investigada por fraudes no sistema previdenciário.

Ligação com empresa controlada pelo Careca do INSS

Segundo a investigação, Silva era sócio-administrador da Credenzzo, empresa controlada por Careca do INSS que oferecia cartão de benefícios vinculado a descontos incidentes sobre pensões e aposentadorias. Na prática, o modelo permitia que a fatura fosse abatida diretamente do salário, da aposentadoria ou da pensão do mês seguinte.

Na decisão que embasou a prisão, André Mendonça destacou que operações como a da Credenzzo "frequentemente apresentam taxas superiores às do consignado tradicional, especialmente quando o usuário realiza saques." O despacho também aponta que os lucros gerados pela empresa teriam sido utilizados para ocultar valores oriundos das fraudes investigadas, além de indicar possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional.

A Credenzzo, procurada pela reportagem da Folha de S.Paulo por meio de endereços eletrônicos informados em seu site, não respondeu aos questionamentos. A empresa foi liquidada em dezembro, em meio ao avanço das investigações.

Fraudes bilionárias no INSS

A Operação Sem Desconto investiga um esquema de descontos associativos indevidos em benefícios do INSS. De acordo com as autoridades, o montante descontado de beneficiários entre 2019 e 2024 pode chegar a cerca de R$ 6,3 bilhões.

O foco da investigação está em cobranças realizadas sem autorização de aposentados e pensionistas. Em tese, o desconto associativo é um mecanismo legal, desde que haja consentimento expresso do beneficiário para a dedução direta no pagamento mensal. Nos últimos anos, porém, esse modelo passou a ser alvo de suspeitas de manipulação por entidades de fachada, que utilizariam o sistema para promover cobranças abusivas e ilegais.

A apuração da PF e da CGU busca esclarecer de que forma essas entidades operavam, quem eram os beneficiários do esquema e como os recursos circulavam entre empresas, operadores financeiros e estruturas associadas ao grupo investigado. A prisão de Alexandre Moreira da Silva é mais um passo na tentativa de desmontar o esquema e rastrear o caminho do dinheiro retirado de aposentados e pensionistas.

Contatos sem resposta

A Folha de S.Paulo informou ter tentado contato com Alexandre Moreira da Silva por telefone, nos números registrados em nome dele, mas não houve resposta. A reportagem também procurou a esposa do investigado e um advogado que o representa em outras ações judiciais, sem retorno até a publicação da notícia.

O caso amplia a pressão sobre os envolvidos na Operação Sem Desconto, que se consolidou como uma das mais graves investigações sobre fraudes contra beneficiários do INSS. Em meio ao avanço das diligências, a Polícia Federal aprofunda o rastreamento de operadores, empresas e estruturas financeiras que, segundo a investigação, deram sustentação a um esquema de alcance bilionário.

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