Polícia suspeita da família de Deolane em suposto esquema de lavagem de dinheiro
Polícia mira família de Deolane após relatório apontar empresas ligadas à influenciadora em investigação sobre lavagem de dinheiro
247 - A Polícia Civil de São Paulo ampliou a apuração sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro atribuído à influenciadora e advogada Deolane Bezerra e passou a investigar também suas irmãs, Daniele Bezerra Santos e Dayanne Bezerra Santos, além de sua mãe, Solange Alves Bezerra. A suspeita é de que empresas ligadas à família tenham sido usadas em uma rede voltada à movimentação de recursos de origem supostamente ilícita, informa a Folha de São Paulo.
Um novo relatório produzido no âmbito da Operação Vérnix aponta que Daniele, Dayanne e Solange aparecem como sócias de empresas vinculadas a Deolane e que agora estão sob análise dos investigadores. Deolane foi presa em 21 de maio, sob suspeita de atuar como peça central na lavagem de dinheiro atribuída à família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Segundo o Ministério Público, haveria uma relação próxima entre Deolane e familiares de Marcola, o que é negado pelas defesas. A investigação sustenta que o suposto esquema teria utilizado empresas de fachada para fazer circular valores provenientes de atividades ilícitas.
Entre as empresas citadas no relatório está a DSDD Cobranças e Informações Cadastrais LTDA., que tem Daniele como sócia e administradora. Dayanne e Solange também aparecem como sócias da empresa. A companhia surge em uma troca de e-mails envolvendo as investigadas e o contador Eduardo Affonso Rodrigues, que também é investigado e já foi indiciado no inquérito.
Interceptações realizadas no caso também identificaram contatos entre Rodrigues e Everton de Souza, conhecido como Player, apontado pela polícia como operador financeiro do suposto esquema. Para os investigadores, os elementos reunidos indicam a existência de uma rede de empresas voltada à lavagem de dinheiro.
O mesmo contador, segundo a apuração policial, teria aberto outra empresa considerada suspeita para Francisca Alves da Silva, conhecida como Preta, esposa de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, o Marcolinha, irmão de Marcola. Trata-se da FA Silva Consultoria em Gestão Empresarial LTDA., com sede em Pacaembu, no interior paulista, e situação cadastral ativa.
Um dos pontos que chamaram a atenção dos investigadores é a distância de mais de 600 quilômetros entre o endereço da empresa, que aparenta ser um imóvel residencial, e o endereço conhecido de Francisca na cidade de São Paulo. Para a polícia, Francisca também é investigada por suspeita de movimentar recursos ligados ao crime organizado e seria uma das principais conexões entre Deolane e o esquema sob apuração.
Apesar dos indícios apontados no relatório, o inquérito ainda não detalhou qual seria o papel específico das irmãs e da mãe de Deolane no suposto esquema. Também não há, até o momento, a indicação de quanto essas empresas teriam movimentado em recursos considerados ilícitos pelos investigadores.
Nas redes sociais, Dayanne Bezerra tem criticado a investigação e rebatido as acusações feitas contra Deolane. A defesa da família, representada pelo advogado Aury Lopes, afirma que a atividade empresarial e a origem dos recursos serão esclarecidas no processo.
“Com relação à mãe e às irmãs da Deolane, até agora o que existem são afirmações genéricas. Realmente, elas possuem as suas empresas e algumas com sociedade comum. Tudo isso também vai ser esclarecido dentro do devido processo. Não tivemos, até agora, nenhuma imputação formal”, afirmou Aury Lopes.
Em nota, a defesa de Marcola, Alejandro, Francisca, Leonardo e Paloma, feita pelo advogado Bruno Ferullo, declarou “que segue acompanhando todos os atos investigativos e adotará as medidas jurídicas cabíveis para a garantia dos direitos de seus clientes, ressaltando que o indiciamento constitui ato investigatório e não implica reconhecimento de culpabilidade, em observância ao princípio constitucional da presunção de inocência”.
Os advogados do contador Eduardo Affonso Rodrigues afirmam que ele declarou não conhecer pessoalmente Deolane, Everton e Francisca, nem ter mantido relação direta com eles na contratação de serviços contábeis. A defesa sustenta ainda que Rodrigues atuou apenas no exercício profissional, realizando a abertura de empresas na Receita Federal e na Junta Comercial.
Até o momento, a Operação Vérnix já indiciou Deolane, Marcola, Marcolinha, Everton, Eduardo Affonso Rodrigues e dois sobrinhos de Marcola: Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho.
A principal suspeita contra Deolane é a de que ela teria lavado dinheiro da facção por meio de uma transportadora de fachada, a Lado a Lado, com operação em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. A investigação segue em andamento para apurar a extensão da rede empresarial e a eventual participação de cada um dos investigados.



