PT avança em mapa eleitoral para governos estaduais em 2026
Partido avalia alianças e evita conflitos regionais. Presidente Lula deverá discutir nomes após o Carnaval
247 - O PT iniciou a construção de um diagnóstico detalhado dos cenários eleitorais para a disputa pelos governos estaduais em 2026. A estratégia envolve desde os maiores colégios eleitorais do país até estados considerados politicamente sensíveis, nos quais a definição de candidaturas passa por negociações complexas e acordos delicados. Segundo a coluna da jornalista Victoria Abel, do SBT News, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende debater pessoalmente os principais nomes e alianças apenas após o Carnaval, quando a direção partidária espera ter um quadro mais consolidado das articulações regionais.
Maranhão concentra tensão política e negociações
No Maranhão, o cenário é considerado um dos mais delicados para o PT. O partido abriu diálogo com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), após reavaliar sua posição em relação à candidatura do deputado federal Duarte Jr. (PSB), aliado do governador Carlos Brandão (sem partido). A mudança reflete o desgaste político entre o PT e Brandão, agravado por conflitos envolvendo acordos institucionais e disputas internas no estado.
As divergências se intensificaram durante a eleição para a presidência da Assembleia Legislativa maranhense. Havia um entendimento para a recondução de Othelino Neto (PCdoB), alinhado ao então governador Flávio Dino. No entanto, Brandão optou por apoiar Iracema Vale (PSB), que venceu a disputa e, posteriormente, viabilizou a nomeação de Daniel Brandão, irmão do governador, como conselheiro vitalício do Tribunal de Contas do Estado. Um dirigente do PT que acompanha as articulações no Maranhão resumiu a avaliação interna da legenda: “Brandão quer um terceiro mandato. Na prática, é isso”.
São Paulo, Minas e Rio no radar do partido
Em São Paulo, o PT mantém a intenção de insistir no nome do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como candidato ao governo estadual. Apesar das declarações públicas de Haddad indicando resistência a uma nova disputa, a direção do partido avalia que ele segue sendo o principal nome da esquerda com capacidade de protagonizar a eleição no maior estado do país. A possibilidade de uma candidatura de Geraldo Alckmin (PSB) chegou a ser considerada, mas o partido defende sua permanência na vice-presidência da República.
Em Minas Gerais, o cenário permanece indefinido. Lula tem demonstrado preferência pelo nome do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), mas ainda não há sinalização concreta de que o senador esteja disposto a assumir uma pré-candidatura ao governo estadual.
No Rio de Janeiro, a estratégia já está definida. O PT decidiu apoiar a candidatura do prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), abrindo mão de lançar um nome próprio na disputa pelo governo fluminense.
Alianças regionais ganham prioridade no Sul
No Paraná, a legenda também optou por não apresentar candidatura própria. A estratégia é construir uma aliança que fortaleça o palanque nacional do partido no Sul do país. Nesse contexto, o PT deve apoiar um nome do PDT, com o deputado estadual Requião Filho despontando como principal escolha para a disputa.



