PT vê caso Master pegando no “coração do Centrão”
Dirigentes veem desgaste limitado ao partido, enquanto Centrão pode ser duramente atingido
247 - A cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) acompanha com atenção o avanço das investigações envolvendo o Banco Master e avalia que o episódio pode gerar efeitos negativos limitados para a legenda. Internamente, dirigentes e quadros históricos reconhecem a existência de um “dano colateral” para nomes do partido, mas sustentam que o impacto principal do escândalo recairá sobre o chamado “coração do centrão”, núcleo político que mantém forte influência no Congresso Nacional. As informações são da jornalista Daniela Lima, do UOL.
Um dirigente do partido sintetizou a leitura interna ao afirmar: “Do lado de cá é residual. Do lado de lá é o sistema nervoso central”, numa referência direta ao peso político que o episódio pode ter sobre as forças do Centrão.
As apurações sobre o Banco Master avançam em múltiplas frentes e já extrapolaram o episódio que detonou a crise, a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB). Investigadores identificaram elementos que ampliam o alcance do caso, incluindo a atuação de grandes empresas do setor de apostas online, conhecidas como BETs.
Segundo informações levantadas na investigação, ao menos três dessas empresas teriam financiado uma ofensiva de caráter reputacional contra o Banco Central. A estratégia teria envolvido mais de 15 influenciadores digitais, mobilizados para disseminar críticas e questionamentos à atuação da autoridade monetária nas redes sociais. O grupo empresarial ligado às apostas, de acordo com as apurações, mantém vínculos com políticos e outras organizações que também estão sob o radar da Polícia Federal.
A motivação atribuída a essa articulação seria reforçar junto à opinião pública a narrativa defendida por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Ele sustenta que o veto à operação com o BRB e a análise conduzida pelo Banco Central teriam precipitado a liquidação da instituição financeira. Essa versão, no entanto, é contestada pelos dados reunidos na investigação.
De acordo com o Ministério Público Federal, o Banco Master já apresentava problemas de liquidez desde 2024, o que enfraquece a tese de que a crise teria sido provocada exclusivamente pelas decisões do regulador financeiro. As autoridades apontam que as fragilidades da instituição antecedem os episódios mais recentes envolvendo a tentativa de venda.
No entorno de Daniel Vorcaro, aliados rejeitam de forma categórica a possibilidade de uma delação premiada. O argumento é de que, no estágio atual das investigações, ele é apontado como líder de uma organização criminosa, condição que, segundo a legislação, impede que pessoas no topo dessas estruturas firmem acordos de colaboração com a Justiça.
Atualmente, os inquéritos relacionados ao Banco Master tramitam em ao menos três estados — São Paulo, Rio de Janeiro e Amapá — além de procedimentos no Supremo Tribunal Federal e no Distrito Federal.


