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BRB busca saída no mercado e negocia venda de ativos do Master a bancos privados

Plano apresentado ao BC envolve BTG, Itaú e Bradesco e tenta evitar aporte bilionário do governo do DF

Banco Regional de Brasília BRB (Foto: Divulgação)

247 - O Banco de Brasília (BRB) iniciou negociações com grandes instituições financeiras privadas para vender carteiras de crédito adquiridas do Banco Master, em uma tentativa de recompor perdas expressivas e preservar sua liquidez. Entre os potenciais interessados está o BTG Pactual, controlado por André Esteves, além de outros bancos de grande porte. A estratégia faz parte de um plano apresentado ao Banco Central na sexta-feira (6) e representa a principal aposta do banco do Distrito Federal para enfrentar os prejuízos decorrentes das operações com o banco comandado por Daniel Vorcaro, segundo a Folha de São Paulo.

Ao menos quatro instituições financeiras demonstraram interesse nos ativos, e uma delas já sinalizou disposição concreta para avançar no negócio. O BTG está entre os bancos que analisam a operação. Procurado, o banco informou que não comentaria o tema. No momento, a instituição avalia todas as carteiras do BRB, tanto as originadas no Banco Master quanto aquelas concedidas diretamente pelo banco público do DF. Recentemente, o grupo de André Esteves adquiriu ativos considerados de boa qualidade do próprio BRB.

As negociações ocorrem em meio a uma pressão intensa sobre o caixa do banco brasiliense. Para atender à demanda diária de saques, o BRB realizou uma série de operações com bancos privados, movimentando valores superiores a R$ 5 bilhões. No entanto, as carteiras provenientes do Banco Master trazem um obstáculo adicional: a dificuldade de precificação. Em uma avaliação preliminar feita pelo BTG, os valores pedidos estariam muito distantes dos preços efetivamente registrados no mercado.

Nem o próprio BRB dispõe, neste momento, de números definitivos sobre o valor real desses créditos. Esse cenário se torna ainda mais sensível por razões políticas. Caso se confirme que as carteiras valem bem menos do que o montante inicialmente assumido pelo banco público, o prejuízo contábil seria elevado, criando um problema direto para o governo de Ibaneis Rocha (MDB).

Em 2025, André Esteves chegou a discutir com Daniel Vorcaro uma possível participação do BTG em operações envolvendo a carteira de precatórios do Banco Master. As negociações, contudo, não avançaram diante da resistência de outros grandes bancos privados quanto ao uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em eventuais problemas de lastro. Meses depois, em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Master, após o fracasso de soluções de mercado, incluindo o plano de aquisição da instituição pelo BRB.

Além do BTG, Itaú Unibanco e Bradesco também avaliam a compra de carteiras de crédito do Banco de Brasília. Esses ativos somam cerca de R$ 750 milhões e foram originados pelo próprio BRB, sem ligação com o Banco Master. Uma eventual venda reforçaria a liquidez da instituição do DF. Procurados, Itaú e Bradesco não se manifestaram.

A ausência de bancos públicos nas negociações de compra de ativos tem gerado desconforto entre executivos do setor privado. A Caixa Econômica Federal, por sua vez, pode integrar um eventual consórcio de bancos disposto a conceder empréstimos ao BRB, caso a operação se mostre necessária. A proposta de solução de mercado apresentada pelo banco do DF é incentivada pelo próprio Banco Central.

Se a estratégia for bem-sucedida, o BRB poderá evitar um aporte direto do governo do Distrito Federal para cobrir o rombo estimado em cerca de R$ 5 bilhões. Um analista envolvido nas negociações afirma que o momento atual ainda é de análise detalhada dos dados e de definição de parâmetros de preço, que indicarão se os ativos têm valor suficiente para compensar as perdas nas operações com o banco de Vorcaro.

O plano do BRB também contempla outras alternativas, como a contratação de um empréstimo junto ao FGC e a criação de um fundo imobiliário com ativos pertencentes ao acionista controlador, o governo do Distrito Federal. Os recursos obtidos com essas iniciativas seriam destinados à capitalização do banco. No entanto, a possibilidade de um empréstimo com recursos do FGC enfrenta resistência, já que bancos privados avaliam que o BRB ainda não reconheceu plenamente a gravidade da crise, em parte por fatores políticos.

A situação ganhou contornos eleitorais no Distrito Federal, com governo e oposição trocando acusações sobre as responsabilidades pela crise e sobre quem deve arcar com os custos da solução. A hipótese de um aporte estatal, que reduziria recursos para políticas públicas, passou a ser explorada pela oposição como crítica à gestão de Ibaneis Rocha. Aliados do governador, por sua vez, acusam adversários de disseminar boatos, como o de que o BRB poderia quebrar ainda neste ano, algo que o atual presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, nega de forma categórica.

Após reunião no Banco Central, o BRB divulgou nota afirmando ter apresentado “um conjunto de ações preventivas de recomposição de capital a serem implementadas nos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro”. Segundo o banco, eventuais valores só serão definidos após a conclusão das investigações em andamento.

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