Redes pressionam Alcolumbre e Senado pelo fim da escala 6x1
Levantamento da 2L Digital mostra mais de 220 mil menções ao tema e forte cobrança sobre parlamentares nas redes sociais
247 - A mobilização pelo fim da escala de trabalho 6x1 ganhou força nas redes sociais e tem direcionado críticas principalmente ao Congresso Nacional, apontado por muitos usuários como o principal entrave para o avanço da proposta. É o que revela um levantamento inédito da consultoria 2L Digital, divulgado pela Folha de São Paulo, que analisou mais de 220 mil publicações e compartilhamentos sobre o tema entre 1º de março e 24 de maio.
Segundo o estudo, o debate digital apresentou crescimento contínuo ao longo dos últimos meses, alcançando picos de engajamento em momentos decisivos da tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada de trabalho e a substituição da escala 6x1 pela 5x2.
Os dados mostram que 68% das manifestações monitoradas tiveram tom negativo, especialmente contra parlamentares favoráveis à manutenção do modelo atual de jornada. Outros 22% dos conteúdos foram classificados como neutros e apenas 10% apresentaram posicionamento positivo.
A pesquisa monitorou postagens em plataformas como X, Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, Bluesky, além de blogs e portais de notícias. De acordo com os pesquisadores, o tema deixou de ser uma pauta restrita a sindicatos e movimentos sociais para ocupar espaço central no debate público.
A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio. O texto prevê a redução da jornada semanal de 44 para 42 horas em até 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, chegando a 40 horas semanais em 2027, sem redução salarial. A proposta também inclui outras alterações nas regras de trabalho.
O levantamento identificou quatro momentos considerados determinantes para a ampliação da repercussão nas redes: o envio do projeto em regime de urgência em 15 de abril, as mobilizações do Dia do Trabalhador em 1º de maio, a votação da proposta na Câmara em 20 de maio e a reação à emenda que propunha adiar a implementação das mudanças para 2036, em 21 de maio.
O maior volume de interações foi registrado justamente nos dias 20 e 21 de maio, durante a análise da matéria pelos deputados. Segundo a 2L Digital, o interesse pelo tema cresce sempre que há movimentações institucionais, especialmente no Legislativo.
Responsável pelo estudo, Leonardo Lima, chefe da consultoria, avalia que a pressão exercida nas redes contribuiu para ampliar o custo político de posições contrárias à proposta.
"Esse acúmulo de pressão digital, somado às mobilizações de 1º de Maio e ao pico expressivo de 20 e 21 de maio, ajudou a transformar o tema em custo político real", afirmou.
Lima pondera que a aprovação da PEC não pode ser explicada apenas pela mobilização online, mas destaca a influência do ambiente digital sobre o debate político.
"A aprovação na Câmara não pode ser explicada apenas pela conversa nas redes, mas é difícil dissociá-la desse ambiente de cobrança pública sustentada, que tirou o assunto da esfera sindical e o colocou no debate cotidiano do brasileiro comum", declarou.
Entre os episódios destacados pela pesquisa está a retirada de assinaturas de uma emenda apresentada por deputados federais da Bahia que propunha adiar a implementação da medida por até dez anos. Segundo o estudo, após forte repercussão negativa nas redes sociais, sete dos nove parlamentares que haviam apoiado a proposta recuaram em menos de 48 horas.
Com a aprovação do texto na Câmara, a expectativa da consultoria é que o foco das mobilizações digitais se volte agora para o Senado Federal, próxima etapa da tramitação da PEC.
"Quando a pauta tem dono na opinião pública, ela migra de casa legislativa com facilidade", afirmou Lima.
Na avaliação do especialista, as cobranças nas redes tendem a se tornar mais direcionadas aos senadores identificados como contrários à proposta. Enquanto na Câmara as críticas foram concentradas de forma mais ampla sobre o Congresso, a expectativa é que o debate passe a personalizar as pressões sobre parlamentares específicos durante a análise da matéria no Senado.



