Rogério Correia acusa Flávio Bolsonaro de oferecer R$ 5 milhões por depoimento contra Lula na CPMI do INSS
Deputado afirma que senador teria enviado emissário para tentar influenciar advogado Eli Cohen e pede convocação e quebra de sigilos ligados ao caso
247 - A retomada dos trabalhos da CPMI do INSS nesta quinta-feira (5) foi marcada por uma grave denúncia envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O deputado Rogério Correia (PT-MG) afirmou que o parlamentar teria participado de uma suposta articulação para oferecer R$ 5 milhões ao advogado Eli Cohen, com o objetivo de que ele prestasse depoimento contra o governo federal e tentasse envolver pessoas ligadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas investigações sobre fraudes no INSS.
Segundo Rogério Correia, a suposta proposta de pagamento teria sido feita por um emissário do senador, de acordo com um documento registrado em cartório por um ex-policial em 2025. O deputado classificou a situação como extremamente grave e defendeu que o caso seja investigado pela comissão.
“Eu estou apresentando o requerimento porque ele [Eli Cohen] vem aqui, e ele denuncia dois senadores, um que eu não posso falar o nome e o outro Flávio Bolsonaro, que teria mandado emissário para oferecer os R$ 5 milhões. É muito grave. Ele esteve aqui, falou um monte de coisa e agora é preciso esse rapaz vir aqui explicar, esse ex-policial”, declarou Correia durante a sessão.
De acordo com o relato apresentado, em 24 de outubro de 2025, o ex-policial Rogério Gilio Gomes teria formalizado um documento, com firma reconhecida, indicando que Eli Cohen teria pedido R$ 5 milhões para atacar Lula e o governo durante depoimento à CPMI do INSS.
Eli Cohen, que foi um dos primeiros denunciantes do esquema de desvios no INSS, já havia prestado depoimento em setembro e, na ocasião, mencionou o nome de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula. Cohen sustentou que Frei Chico atuaria como “laranja” em um suposto esquema de fraudes envolvendo o Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), entidade da qual ele é vice-presidente.
A declaração impulsionou movimentos dentro da CPMI para convocar Frei Chico, mas a tentativa não avançou. Em resposta, a base governista passou a defender a quebra de sigilo bancário e fiscal de Eli Cohen para verificar a suspeita do suposto suborno.
Ainda conforme o relato apresentado por Correia, em dezembro de 2025, após pressão e ameaças de bolsonaristas, o ex-policial Rogério Gilio Gomes teria apresentado um novo documento, recuando da acusação relacionada aos R$ 5 milhões.
Apesar disso, Rogério Correia afirmou que dispõe de novos elementos que indicariam a participação do senador no caso e voltou a sustentar que Flávio Bolsonaro deverá ser chamado para esclarecer a denúncia.
“Quero depois falar, não tenho tempo aqui, mas o filho do Bolsonaro, eu vou mostrar, tá envolvido nisso e vai ter que vir [depor] aqui depois”, disse o deputado.
Requerimento pede convocação de Flávio Bolsonaro e quebra de sigilo de administradora
O deputado protocolou, nesta segunda-feira (2), um requerimento solicitando a convocação do senador Flávio Bolsonaro para depor na CPMI do INSS. O pedido também inclui a quebra de sigilo e a convocação de Letícia Caetano dos Reis, apontada como administradora da empresa Flavio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia.
Ao comentar o caso, Correia afirmou que a comissão deve voltar o foco para suspeitas envolvendo o senador e possíveis conexões com investigados.
“Falaram tanto do filho do Lula, do irmão do Lula, mas parece que quem tá mesmo no fogo e na relação com o careca do INSS é o filho do Bolsonaro, que até hoje não conseguiu explicar uma mansão de R$ 6 milhões. Será que teve ajuda do BRB? Será que teve ajuda do careca? Ao que tudo indica, não foi dinheiro limpo”, declarou o parlamentar à Revista Fórum.
Suspeita de ligação com núcleo do “Careca do INSS” aparece em documento
O requerimento apresentado por Rogério Correia menciona suspeitas de ligação entre Flávio Bolsonaro e o núcleo de Antonio Carlos Camilo Antunes, investigado no caso e conhecido como “Careca do INSS”. O texto aponta que Letícia Caetano dos Reis seria irmã de Alexandre Caetano dos Reis, citado em relatório da Polícia Federal (PF) como sócio de Antonio Carlos em uma empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas.
De acordo com o documento, a empresa CAMILO & ANTUNES LIMITED (RPDL LTD33) teria adquirido quatro imóveis em 2024, somando R$ 1.050.000,00, e seria uma offshore usada para proteger patrimônio obtido de forma ilícita.
O requerimento também afirma que Alexandre Caetano dos Reis foi alvo de uma fase da operação Sem Desconto e teria atuado como contador de empresas e integrante do núcleo administrativo-financeiro do grupo investigado por lesar aposentados e pensionistas.
Outro ponto levantado por Correia envolve a indicação de Letícia para administrar o escritório. Segundo o requerimento, ela teria dito em entrevista que foi indicada pelo advogado Willer Tomaz de Souza, descrito como amigo de Flávio Bolsonaro e influente no meio político.
O texto menciona ainda que Willer Tomaz promoveu uma festa em 2021 com a presença de figuras políticas como Arthur Lira, Paulo Octávio e José Roberto Arruda, além do próprio Flávio Bolsonaro.
Além disso, o requerimento sustenta que Willer Tomaz atuaria como advogado em um processo envolvendo Alexandre Caetano dos Reis, investigado no caso do INSS, e também cita movimentações financeiras apontadas pela PF em relatórios encaminhados pelo Coaf.
Segundo o documento, a Polícia Federal destacou que o advogado teria movimentado R$ 45,5 milhões entre maio e novembro de 2021 e que teria realizado um pagamento de R$ 120 mil a Milton Salvador de Almeida Júnior, descrito como operador financeiro de Antonio Carlos Camilo Antunes.
CPMI discute quebra de sigilos e apuração de possíveis crimes
O deputado Rogério Correia também protocolou requerimentos que pedem a quebra de sigilos bancário, fiscal e de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) de Letícia Caetano dos Reis. No texto, ele argumenta que a medida é necessária para identificar movimentações suspeitas e possíveis vínculos com investigados no âmbito da CPMI do INSS.
“Diante da gravidade dos fatos, torna-se indispensável a quebra dos sigilos bancário, fiscal e de Relatório de Inteligência Financeira (RIF) da Sra. Letícia Caetano dos Reis, a fim de possibilitar a identificação de movimentações financeiras atípicas, eventuais e recebimento de valores de pessoas e empresas investigadas no âmbito da CPMI do INSS”, diz o pedido.
Correia também afirma que a análise dos dados pode ajudar a esclarecer suspeitas envolvendo crimes como tráfico de influência e recebimento de vantagens indevidas.
“A investigação desse fluxo financeiro é fundamental para apuração sobre possíveis conflitos de interesse, favorecimento indevido, tráfico de influência, recebimento de vantagens econômicas, ou seja, a eventual vinculação entre decisões administrativas, interesses eleitorais e as atividades da Sra. Letícia, pelo que se requer a aprovação deste requerimento”, afirma o documento.


