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STF vive disputa política interna com riscos ao caso Master, diz Paulo Gracino

Professor da UnB criticou André Mendonça, diferenciou atuação de ministros e avaliou que Gilmar Mendes pode antecipar debate sobre nulidades

Sessão plenária do STF - 18/06/2026 (Foto: Antonio Augusto/STF)
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247 - O professor Paulo Gracino Júnior, da Universidade de Brasília (UnB), afirmou, no Giro das Onze, programa da TV 247, que a tensão no Supremo Tribunal Federal (STF) revela uma disputa política interna entre ministros, com possíveis impactos sobre a investigação do caso Banco Master.

Gracino defendeu que o STF deve ser protegido como instituição democrática, mas criticou a leitura simplificada que trata a Corte como um bloco homogêneo. Para ele, há diferenças importantes entre ministros que atuam politicamente de forma mais explícita e aqueles que, mesmo tendo posição, mantêm maior rigor jurídico.

Ao comentar André Mendonça, o professor foi duro. Disse que não vê motivos para acreditar que o ministro tenha mudado sua forma de atuação e afirmou desconfiar de sua isenção caso a investigação alcance diretamente a família Bolsonaro. “Não há por que acreditar que Mendonça mudou da água para o vinho”, declarou.

Gracino também citou a prorrogação da CPI do INSS como exemplo de decisão que, em sua avaliação, teve efeito político. Para ele, Mendonça teria atuado antes de uma votação no Congresso com o objetivo de ampliar o desgaste entre Parlamento e governo.

O professor comparou a postura de Mendonça e Cássio Nunes Marques à de Flávio Dino. Segundo Gracino, “é óbvio que Flávio Dino tem lado”, mas seus votos preservariam maior cuidado constitucional. “Você vai ver um voto do Flávio Dino, é um voto constitucional”, afirmou.

A entrevista de Gilmar Mendes ao Roda Viva também foi analisada por Gracino. Para ele, o decano pode estar antecipando um debate sobre possíveis nulidades no caso Banco Master. O professor avaliou que uma anulação ampla da investigação seria “muito ruim”, considerando a dimensão política e financeira do caso.

Gracino reconheceu, porém, que Gilmar tem histórico de decisões controversas e de proteção a parlamentares. Ainda assim, entendeu que sua movimentação pode indicar preocupação com a condução do processo e com métodos que poderiam comprometer a investigação.

Na avaliação do professor, o caso Banco Master não deve ser lido apenas como disputa jurídica. Ele envolve interesses de setores da direita, da extrema direita e de frações econômicas. Gracino afirmou que a direita tradicional poderia se beneficiar de um enfraquecimento do bolsonarismo, embora também busque preservar o funcionamento geral do sistema político.

O professor também disse que outras frentes no Supremo, abertas por ministros como Flávio Dino, podem funcionar como contrapeso à concentração do caso nas mãos de Mendonça. Para ele, isso ajudaria a evitar uma condução unilateral.

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