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Temer diz que Gilmar Mendes errou ao responder ataques de Zema

Ex-presidente afirma que polarização chegou ao STF e avalia que reação de ministro amplia tensão entre Poderes

Michel Temer (Foto: Reuters)

247 - O ex-presidente Michel Temer (MDB) disse, nesta segunda-feira (27), que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes errou ao responder publicamente aos ataques feitos pelo ex-governador Romeu Zema (Novo-MG), em meio ao avanço da polarização política no país.As declarações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo e ocorreram antes do Fórum Paulista de Desenvolvimento, realizado em Itu (SP), onde Temer também avaliou que a radicalização política já alcançou o Judiciário.

Segundo o ex-presidente, a atual crise de imagem enfrentada pelo STF está diretamente ligada à deterioração do diálogo institucional no Brasil. “Não só o diálogo interno nos Poderes, mas até o diálogo entre Poderes. E a falta de diálogo entre Poderes é que gerou aquilo que as pessoas chamam de polarização, que eu chamo de radicalização”, afirmou.

Temer destacou ainda que esse ambiente de radicalização tende a se espalhar por diferentes áreas da vida pública. “Quando há uma radicalização no país, ela acaba atingindo todos os setores, vai se introduzindo em todos os setores”, disse.

Ao comentar diretamente o embate entre Gilmar Mendes e Romeu Zema, o ex-presidente avaliou que a resposta do ministro não foi adequada. “Eu acho que o ministro Gilmar não deveria ter respondido, porque quanto mais ele responde, evidentemente mais argumentos ele dá para a contestação”, declarou.

O confronto entre os dois ganhou repercussão após Zema divulgar vídeos com críticas ao ministro, acusando-o de articulações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Congresso Nacional, no contexto de investigações envolvendo o Banco Master. Em reação, Gilmar acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o ex-governador seja incluído no inquérito das fake news.

No sábado (25), Zema voltou a criticar integrantes do STF, chamando-os de “intocáveis” em um novo vídeo que utiliza representações satíricas feitas com inteligência artificial de ministros como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

Advogado constitucionalista, Temer também comentou críticas recorrentes sobre suposto ativismo judicial do STF. Para ele, o papel da corte está ligado à própria Constituição de 1988. “Se alguma responsabilidade houve, mas não houve, foi porque a [Assembleia] Constituinte [de 1988] tratou de todos os temas, e todos os temas, em razão disso, são levados ao Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

O debate sobre polarização também foi abordado pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab, que participou do mesmo evento. Ele defendeu a necessidade de reduzir o nível de tensão política no país. “Precisamos superar esse momento de ódio”, disse.

Kassab afirmou ainda que vê o cenário eleitoral praticamente definido e demonstrou pouca expectativa de mudanças relevantes, incluindo a possível candidatura presidencial de Ciro Gomes (PSDB). “Eu vejo o quadro [de candidaturas] definido. Pelo Ciro [Gomes] não posso falar. Pelo que tenho visto, parece que ele é pré-candidato a governador [do Ceará], mas se for candidato a presidente, será bem-vindo. Mas eu acho que não haverá alterações, não”, declarou.

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