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Tensão entre Toffoli e PF preocupa ministros do STF

Ministros temem desgaste institucional e impacto sobre investigações sensíveis

Dias Toffoli (Foto: Gustavo Moreno/SCO/STF)

247 - A tensão entre o ministro Dias Toffoli e a Polícia Federal ganhou novos contornos nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), ampliando a apreensão entre integrantes da Corte. O embate, que envolve decisões tomadas no âmbito do chamado caso Master, é visto por colegas do ministro como um fator de risco para a imagem do tribunal e para o avanço das investigações. As informações são do G1.

Dirigentes da Polícia Federal avaliam que a divulgação dos nomes de peritos responsáveis pela extração de dados apreendidos expõe publicamente esses profissionais, algo que tradicionalmente é evitado pelo órgão. Para a PF, a medida compromete a liberdade de atuação dos agentes e pode funcionar como uma forma de intimidação, ao abrir espaço para acusações de vazamentos de informações obtidas durante o trabalho pericial.

Internamente, a decisão de Toffoli de indicar peritos sem consultar a direção da Polícia Federal foi classificada como “exótica”. Na leitura de investigadores, o gesto sinaliza que o ministro decidiu “dobrar a aposta” no confronto com a corporação, numa tentativa de “controlar” os rumos das investigações relacionadas ao caso Master. A avaliação é de que, embora Toffoli tenha buscado demonstrar disposição para reduzir o desgaste ao determinar a participação de peritos do STF na extração dos dados, a exposição nominal dos técnicos foi considerada “muito estranha” e fora dos “manuais” usuais de conduta investigativa.

O clima de cautela também se espalhou entre ministros do Supremo. Segundo relatos, há preocupação de que o acirramento do conflito entre o magistrado e a Polícia Federal acabe se revertendo contra o próprio STF. A expectativa dentro da Corte é de que as apurações revelem um esquema de fraudes bancárias de grande impacto, o que aumenta o temor de que qualquer sinal de interferência ou obstáculo às investigações provoque desgaste institucional relevante.

A disputa entre Toffoli e a PF se intensificou após a decisão do ministro de transferir o caso da Justiça Federal para o Supremo, movimento que gerou críticas de especialistas e investigadores. O argumento utilizado para a mudança de instância teria se baseado em um documento sobre uma negociação imobiliária envolvendo um deputado e o empresário Daniel Vorcaro, elemento considerado sem relação direta com as suspeitas de fraudes bancárias.

Na sequência, Toffoli convocou uma acareação mesmo sem a existência de contradições formais entre os investigados, o que aprofundou o atrito com a delegada responsável pelo inquérito. Mais recentemente, o ministro determinou a retirada da custódia, até então sob responsabilidade da Polícia Federal, de telefones celulares e computadores apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero.

Para a PF, a demora na extração dos dados desses aparelhos é motivo de preocupação, já que existe o risco de que seus proprietários consigam apagar informações armazenadas em nuvens digitais. Embora as medidas adotadas por Toffoli — como manter os dispositivos desconectados de redes telefônicas e de wi-fi — possam reduzir essa possibilidade, investigadores avaliam que o risco ainda persiste, mantendo elevado o nível de tensão em torno do caso.

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