PF e AGU avaliam recorrer de decisão de Toffoli sobre perícia no caso Master
Internamente, a corporação considera “estranha” e “arbitrária” a decisão do ministro de designar peritos específicos para atuar no caso
247 - A cúpula da Polícia Federal avalia contestar a mais recente decisão do ministro Dias Toffoli relacionada à segunda fase da operação que investiga o Banco Master. O tema vem sendo discutido pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, diante do impacto do despacho que determinou a atuação de peritos específicos na análise do material apreendido nesta semana. As informações são da CNN Brasil.
A avaliação interna na Polícia Federal é de que a decisão de Toffoli é considerada “estranha” e “arbitrária”. Investigadores também entendem que a medida pode provocar atraso nas investigações, já que os peritos indicados pelo ministro não participaram da apuração e não têm familiaridade com o grande volume de dados reunidos ao longo de meses de trabalho.
Embora não haja questionamentos quanto à qualificação técnica e ao profissionalismo dos peritos designados, integrantes da PF avaliam que a ausência de vínculo desses profissionais com a investigação compromete o ritmo e a eficiência da análise do material. Para a corporação, a complexidade do caso exige conhecimento prévio do conteúdo já examinado e da metodologia empregada até o momento.
Outro ponto de incômodo relatado por integrantes da Polícia Federal é a forma como a nova decisão chegou ao conhecimento da instituição. De acordo com esses relatos, a PF soube pela imprensa da determinação de Toffoli, que foi a terceira em um intervalo de 24 horas envolvendo a guarda e a perícia do material apreendido na operação.
Inicialmente, o ministro havia determinado que os dados ficassem sob custódia de seu gabinete. Em seguida, decidiu que o material deveria ser analisado pela Procuradoria-Geral da República. Por fim, estabeleceu que a perícia ficaria a cargo de profissionais escolhidos por ele próprio.
No entendimento da Polícia Federal, essa sequência de decisões representa uma ingerência direta no trabalho da instituição. A avaliação interna é de que a perícia é uma atribuição de carreira específica dentro da PF, cabendo ao próprio órgão indicar os profissionais responsáveis por esse tipo de análise no âmbito das investigações conduzidas pela corporação.


