Terras raras e minerais críticos impulsionam tecnologia global
Entenda o papel das terras raras e minerais críticos e como o Brasil se posiciona neste mercado estratégico global
247 - As terras raras e minerais críticos estão no centro da transformação tecnológica e da transição energética global, sustentando desde dispositivos eletrônicos até sistemas industriais avançados. Esses elementos, essenciais para o desenvolvimento econômico e para a segurança nacional, colocam o Brasil em posição estratégica no cenário internacional.
Segundo análise do engenheiro Miguel Manso, publicada pela EngD (Engenharia pela Democracia), esses recursos são fundamentais para a indústria contemporânea e para a transição para uma economia de baixo carbono, destacando o potencial brasileiro e os desafios ligados à exploração e ao refino.
O que são terras raras e minerais críticos
As chamadas terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos, incluindo os lantanídeos, além do escândio e do ítrio. Apesar do nome, não são necessariamente escassas, mas possuem propriedades únicas — como magnetismo e condutividade — que as tornam indispensáveis para tecnologias modernas.
Já os minerais críticos são definidos com base em sua importância econômica e no risco de interrupção de fornecimento. Entre eles estão o lítio, o cobalto, o níquel, o grafite e o nióbio, amplamente utilizados em baterias, ligas metálicas e aplicações industriais de alta performance.
Base da tecnologia e da transição energética
Esses minerais sustentam três pilares centrais da economia contemporânea. O primeiro é a indústria de alta tecnologia, que depende de elementos como o neodímio para a produção de ímãs potentes usados em dispositivos eletrônicos.
O segundo é a transição energética. Veículos elétricos, por exemplo, utilizam lítio, cobalto, níquel e grafite em suas baterias, enquanto turbinas eólicas dependem de ímãs de terras raras para aumentar a eficiência. Já tecnologias solares avançadas utilizam elementos como índio e telúrio.
O terceiro pilar é a segurança nacional. Sistemas de defesa, como radares, satélites e aeronaves de combate, utilizam esses materiais em componentes estratégicos.
Concentração global e dependência geopolítica
A produção e o refino desses recursos estão concentrados em poucos países, o que gera forte dependência global. A China domina amplamente o setor de terras raras, respondendo pela maior parte da produção e do refino mundial.
Outros países também ocupam posições relevantes: Chile e Austrália lideram na produção de lítio, enquanto a República Democrática do Congo concentra a produção de cobalto.
Brasil como potência mineral estratégica
O Brasil se destaca como um dos principais detentores de reservas de minerais críticos. O país possui a quarta maior reserva de terras raras do mundo, além de liderar globalmente no nióbio, com cerca de 95% das reservas conhecidas.
Também ocupa posições de destaque em níquel e grafite, sendo o terceiro maior detentor global em ambos os casos. No caso do lítio, embora a participação ainda seja menor, projetos em desenvolvimento indicam potencial de crescimento significativo.
O desafio do refino e da cadeia produtiva
Apesar da abundância de recursos, o principal desafio brasileiro está na capacidade de processamento. O refino desses minerais exige tecnologia avançada, alto investimento e envolve impactos ambientais relevantes.
A China consolidou sua liderança ao investir no domínio completo da cadeia produtiva, desde a extração até o processamento. Isso cria uma dependência global, já que muitos países precisam enviar seus minérios para refino no exterior.
Caminhos para o desenvolvimento nacional
Para transformar seu potencial em desenvolvimento econômico, o Brasil precisa avançar na industrialização do setor. Isso inclui investir em tecnologia de refino, atrair capital para infraestrutura e desenvolver políticas públicas que equilibrem exploração e sustentabilidade.
Nesse contexto, terras raras e minerais críticos deixam de ser apenas recursos naturais e passam a representar ativos estratégicos para o futuro industrial e energético do país.
A disputa global por esses elementos tende a se intensificar, reforçando o papel do Brasil como protagonista potencial em um mercado essencial para a economia do século XXI.
Leia a íntegra do artigo do engenheiro Miguel Manso


