HOME > Brasil

Toffoli deveria ter recusado relatoria do caso Master, dizem ministros do STF

“Ele errou do início ao fim, errou feio”, disse um membro da Corte

Dias Toffoli (Foto: Carlos Moura/SCO/STF)

247 - O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a ser alvo de críticas de colegas da própria Corte por ter assumido a relatoria do inquérito envolvendo o Banco Master. A avaliação interna é de que ele deveria ter se declarado impedido desde o início do caso, diante de circunstâncias que agora vêm à tona com o avanço das investigações. As informações são do G1.

Segundo interlocutores do Supremo ouvido, a condução do caso pelo ministro tem sido vista como equivocada. “Ele errou do início ao fim, e errou feio”, afirmaram colegas de Toffoli, em referência à sua atuação no processo.

O novo capítulo da controvérsia foi desencadeado após a Polícia Federal (PF) identificar, no celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, conversas que mencionam o nome do ministro e de outras autoridades com foro privilegiado. Na segunda-feira (9), o diretor-geral da PF, Andrei Passos, entregou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um relatório com informações extraídas do aparelho.

Embora o documento não peça formalmente a suspeição de Toffoli, a PF relaciona elementos que, na avaliação de integrantes do tribunal, podem caracterizar conflito de interesses e embasar eventual afastamento do ministro da relatoria. O relatório foi encaminhado por Fachin ao próprio Toffoli.

Em resposta, o ministro divulgou nota na qual sustenta que a Polícia Federal faz “ilações” a respeito das conversas mantidas com Vorcaro. Ele também informou que pretende prestar esclarecimentos diretamente ao presidente do STF.

Desde que assumiu o inquérito do Banco Master, Toffoli protagoniza embates com a Polícia Federal. Em uma das decisões, afirmou que a corporação demorou a agir no caso e acusou a instituição de inércia. O ministro também entrou em confronto com a delegada responsável pelas investigações ao determinar a realização de uma acareação entre Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) e o diretor de Fiscalização do Banco Central.

Posteriormente, tentou impedir que a PF analisasse o conteúdo do celular de Vorcaro — justamente o material que agora fundamenta o relatório entregue à presidência do Supremo.

Artigos Relacionados