Toffoli e familiares acumulam R$ 26 milhões em imóveis no DF
Levantamento aponta aquisições no Noroeste, Lago Norte e Asa Norte; ministro afirma que bens estão declarados à Receita
247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e integrantes de sua família reúnem patrimônio imobiliário estimado em cerca de R$ 26,5 milhões no Distrito Federal, segundo informações publicadas na quinta-feira (12) pela coluna da jornalista Andreza Matais, do portal Metrópoles. Os imóveis estão distribuídos entre o próprio ministro, sua filha, Pietra Ortega Toffoli, a advogada Roberta Rangel — sua ex-mulher — e o escritório Rangel Advogados.
De acordo com a reportagem, apenas nos últimos três anos, entre 2022 e 2025, foram adquiridos quatro novos imóveis avaliados em aproximadamente R$ 4,9 milhões. As escrituras consultadas não indicam financiamento bancário nas transações.
A aquisição mais recente envolve um apartamento de 154 metros quadrados no Setor Noroeste, bairro com o metro quadrado mais valorizado do Distrito Federal. O imóvel foi comprado em fevereiro deste ano por Pietra Ortega Toffoli, de 25 anos, pelo valor declarado de R$ 2,5 milhões. A escritura não menciona alienação fiduciária, o que indica pagamento à vista.
O ministro afirmou, por meio de sua assessoria, que “todas as receitas e patrimônios do ministro estão devidamente declarados e aprovados em suas declarações anuais à Receita Federal do Brasil”.
Outro imóvel vinculado a Toffoli é um apartamento de 47 metros quadrados também no Noroeste, adquirido em abril de 2024. Embora corretores consultados pela coluna estimem o valor de mercado em cerca de R$ 600 mil, a escritura registra R$ 183 mil. No ato da compra, os antigos proprietários concederam “usufruto vitalício” a uma mulher de 50 anos identificada como empregada doméstica.
Situação semelhante aparece em um imóvel comprado em maio de 2022 no Lago Norte. Trata-se de uma quitinete de 31 metros quadrados, declarada por R$ 79,5 mil. À época, o valor de mercado variava entre R$ 240 mil e R$ 250 mil, segundo a publicação. Atualmente, a estimativa é de R$ 350 mil. A escritura também prevê “usufruto vitalício” para outra mulher, de 54 anos, igualmente identificada como empregada doméstica. Um dos endereços anteriores informados por ela corresponde a uma casa da família Toffoli no Lago Norte.
Essa residência, com 451 metros quadrados, dois pavimentos e piscina, está em nome de Pietra. O imóvel foi adquirido por Toffoli em 2006 por R$ 700 mil e transferido à filha em 2023, com valor declarado de R$ 2,3 milhões. Corretores especializados indicam que casas semelhantes na mesma quadra não são comercializadas por menos de R$ 4,2 milhões.
Roberta Rangel, que foi casada com o ministro até meados do ano passado, também realizou aquisições no período. Em outubro de 2023, comprou à vista um apartamento de 83 metros quadrados no Setor Noroeste, declarado por R$ 669 mil. Anúncios atuais no mesmo prédio indicam valor de R$ 1,25 milhão para unidade com metragem equivalente. Em dezembro, após o término do relacionamento, ela adquiriu uma cobertura de 259 metros quadrados na Asa Norte. Um imóvel de padrão semelhante no mesmo edifício está anunciado por R$ 4,1 milhões. Não há menção a financiamento na escritura.
Segundo o levantamento, os imóveis vinculados ao escritório Rangel Advogados somam aproximadamente R$ 12 milhões. O volume de processos da banca nos tribunais superiores teria aumentado após a nomeação de Toffoli ao STF, em outubro de 2009. A reportagem aponta que o número de causas da advogada no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) cresceu 140% após a ida do ex-marido para a Corte.
Entre os bens do escritório está um terreno de 1.875 metros quadrados no Lago Norte, adquirido em dezembro de 2009 por R$ 1 milhão. Corretores consultados estimam valor atual mínimo de R$ 7 milhões. A área, descrita no mercado imobiliário local como “ponta de picolé”, possui acesso direto ao Lago Paranoá. A escritura registra como antiga proprietária Cândida Ivete Vargas Martins, identificada como funcionária pública e moradora do Rio de Janeiro. Um vizinho afirmou à coluna que o terreno seria “da sogra do Toffoli”.
O escritório também comprou, em agosto de 2009, um conjunto de salas comerciais que totalizam 295 metros quadrados, localizado ao lado dos principais tribunais superiores de Brasília. O imóvel é avaliado hoje em ao menos R$ 4,4 milhões e permanece como sede da banca.
Até quinta-feira (12), Toffoli não havia tornado pública outra fonte de renda além do subsídio do STF, que em janeiro somou R$ 46.571,74 líquidos. Na mesma data, o ministro informou, em nota, ser sócio de dois irmãos na empresa Maridt Participações S.A. Segundo ele, recebeu valores da empresa ao longo dos anos e afirmou que todos os recursos têm origem lícita e foram declarados.
Apesar de estar registrada em endereço residencial em Marília (SP) e possuir capital social declarado de R$ 150 na Receita Federal, a Maridt detinha 17% de participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (SP), até março deste ano.


