Transferência de Vorcaro amplia tensão entre PF e André Mendonça
Decisão de André Mendonça de manter Daniel Vorcaro na PF elevou reclamações internas da corporação
247 - A transferência de Vorcaro para uma sala especial na superintendência da PF (Polícia Federal), determinada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), ampliou a tensão entre a corporação e o relator do caso Banco Master. A decisão manteve Daniel Vorcaro, dono do banco, sob custódia no prédio da PF, apesar de pedidos anteriores para que ele fosse levado a outra unidade.
As informações são da coluna Painel, da Folha de S.Paulo. Segundo a publicação, uma hora depois de a decisão de André Mendonça vir a público pela imprensa, a cúpula da PF ainda não havia sido formalmente notificada pelo relator do caso.
Antes da determinação, Vorcaro estava em uma cela comum da PF. O banqueiro passou a cumprir custódia no local depois que a corporação rejeitou uma proposta de acordo de delação premiada. A estrutura é descrita como um espaço de passagem, destinado a presos em flagrante que permanecem ali por, no máximo, dois dias.
PF havia pedido transferência para a Papudinha
A permanência de Daniel Vorcaro na superintendência contrariou movimentações anteriores da Polícia Federal. Há semanas, quando aumentava a possibilidade de a corporação não fechar acordo de delação com o banqueiro, a PF pediu a André Mendonça que ele fosse transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar, localizado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
A unidade é conhecida como Papudinha. Nos últimos dias, a corporação reforçou o pedido ao ministro do STF. Ainda assim, as solicitações não foram analisadas antes da nova decisão, que determinou a continuidade de Vorcaro na superintendência da Polícia Federal.
Regras internas viram novo foco de atrito
Integrantes da PF afirmam que Daniel Vorcaro não estaria submetido às regras normalmente aplicadas no local. Um dos pontos de incômodo relatados é o tempo de contato com os advogados.
Segundo esses relatos, presos custodiados na superintendência teriam direito a duas horas de conversa com defensores. No caso de Vorcaro, porém, o banqueiro costuma permanecer com os advogados das 9h às 18h.
A situação reforçou a insatisfação de setores da corporação com André Mendonça. De acordo com policiais ouvidos pela coluna, o desgaste não começou agora e envolve críticas à forma como o ministro conduz o inquérito relacionado ao Banco Master.
Desgaste com Mendonça vem de decisões anteriores
A Polícia Federal já demonstrava desconforto com decisões do relator do caso no STF. Policiais reclamam que André Mendonça toma decisões consideradas “descabidas”, tenta assumir o controle da investigação e se comporta como se fosse “dono do inquérito”.
Em fevereiro, Mendonça chegou a proibir delegados de compartilhar informações e dados da investigação com seus superiores hierárquicos. A medida irritou a cúpula da corporação e passou a ser vista como mais um episódio de interferência na rotina interna da PF.
Com a decisão sobre a custódia de Daniel Vorcaro, o caso Banco Master passou a concentrar não apenas os desdobramentos da investigação envolvendo o banqueiro, mas também um embate crescente entre a Polícia Federal e o ministro responsável pela relatoria no Supremo Tribunal Federal.



