'Em breve teremos novidades', diz Uczai sobre apuração de financiamento de Dark Horse nos EUA
Missão parlamentar brasileira pediu aos EUA avanço nas apurações sobre recursos ligados ao Banco Master
247 - O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), afirmou nesta terça-feira (9) que devem surgir em breve novos desdobramentos sobre investigações conduzidas nos Estados Unidos a respeito de recursos do Banco Master destinados ao filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL).
O tema foi tratado na semana passada, em Washington, durante agenda de uma missão parlamentar brasileira com congressistas do Partido Democrata. A comitiva pediu que autoridades estadunidenses apurem o envio de dinheiro para um fundo nos Estados Unidos relacionado ao financiamento do filme.
“Solicitamos que seja efetivamente investigado o financiamento de um filme sobre o ex-presidente: por que se produz um filme e se envia dinheiro para um fundo nos Estados Unidos?”, questionou Uczai ao fazer um balanço da viagem.
O parlamentar disse esperar avanços nas apurações em território norte-americano. “Em breve teremos notícias e informações sobre as apurações que estão sendo conduzidas nos Estados Unidos”, afirmou.
A missão brasileira foi integrada por Uczai, pelo vice-líder do governo na Câmara, Pedro Campos (PSB-PE), pela líder do PCdoB, Jandira Feghali (RJ), e pelo líder da Rede Sustentabilidade, André Janones (MG).
Banco Master, filme e mensagens com Flávio Bolsonaro
Uczai vinculou o caso ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso e apontado como um dos envolvidos no escândalo financeiro atribuído ao Banco Master, com rombo estimado em cerca de R$ 52 bilhões. Segundo o líder petista, Vorcaro teria ajudado a financiar a produção do filme com R$ 61 milhões.
O deputado afirmou que as negociações envolveram contatos diretos com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho de Jair Bolsonaro. De acordo com Uczai, o senador pressionava pelos pagamentos.
“Onde foram parar os R$ 61 milhões?”, questionou Uczai. O parlamentar também afirmou que recursos teriam sido “destinados à compra de uma mansão para Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos”.
Segundo o líder do PT, a missão parlamentar brasileira obteve apoio para que as investigações sejam realizadas.
Missão tratou de soberania e medidas contra o Brasil
Uczai afirmou que a viagem parlamentar teve caráter oficial, público e amplamente divulgado, com o objetivo de defender a soberania brasileira e a autodeterminação dos povos da América Latina. A agenda também incluiu críticas a medidas adotadas pelo governo Donald Trump contra o Brasil.
“Estivemos nos Estados Unidos em uma missão oficial, pública e amplamente divulgada. Fomos para defender a soberania do nosso país, a soberania e a autodeterminação dos povos da América Latina. Fomos também denunciar mais uma tarifa imposta pelo presidente Trump”, declarou.
O deputado criticou a atuação do ex-deputdo federal cassado Eduardo Bolsonaro que, segundo ele, articulou no ano passado para incentivar o governo Trump a impor sobretaxas ao Brasil, prejudicando empresas e trabalhadores brasileiros.
Uczai também mencionou a ida de Flávio Bolsonaro a Washington cerca de quinze dias antes da missão parlamentar. Segundo ele, a visita do senador teve como objetivo tratar de medidas contrárias à soberania brasileira.
“A resposta veio na forma de um tarifaço de Trump contra o Brasil e contra os brasileiros”, afirmou o líder do PT.
Pix e soberania econômica
Uczai também disse que a comitiva identificou interesse do governo Trump em mecanismos de crédito e em sistemas de pagamento brasileiros, especialmente o Pix. O parlamentar também citou o Zelle, instrumento estadunidense de pagamentos, no contexto da disputa pela hegemonia do dólar.
“Portanto, é isso que está em discussão e debate nos Estados Unidos”, disse.
O deputado reforçou que a missão defendeu a autonomia econômica do Brasil e o sistema de pagamentos criado no país.
“Trump não vai interferir na nossa economia nem na nossa soberania. O Pix é nosso”, afirmou.
“Por isso, em nome da nossa bancada e de todas as lideranças que estiveram nos Estados Unidos, reafirmamos nosso compromisso com a democracia, a transparência e a lisura do processo eleitoral. O Pix é nosso. Defendemos a soberania nacional, a investigação do crime organizado e do narcotráfico, sempre preservando a nossa soberania”, acrescentou.
Cooperação contra crime organizado e lavagem de dinheiro
Outro ponto da agenda em Washington foi a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado transnacional, ao narcotráfico, à lavagem de dinheiro e ao tráfico internacional de armas.
Uczai afirmou que a comitiva levou a congressistas norte-americanos denúncias sobre a relação entre organizações criminosas, como PCC e Comando Vermelho, e processos de corrupção. O parlamentar citou o caso do Banco Master e transferências de recursos para fundos, incluindo um localizado no Texas.
Segundo o líder do PT, a PF (Polícia Federal), o FBI e o Departamento de Estado dos Estados Unidos investigam os fatos e colaboram em acordos de cooperação internacional.
Os parlamentares brasileiros deixaram dois documentos públicos relativos a acordos de cooperação entre os dois países no enfrentamento ao crime organizado, ao tráfico de drogas e ao tráfico de armas.
“Grande parte dos fuzis apreendidos no Rio de Janeiro vem dos Estados Unidos”, declarou Uczai.
Propostas apresentadas em Washington
A comitiva brasileira defendeu a criação de um Grupo de Trabalho Brasil–Estados Unidos sobre crime organizado transnacional, além da formação de equipes conjuntas de investigação financeira e patrimonial.
Entre as propostas apresentadas também estão o fortalecimento da cooperação jurídica entre os dois países e ações para rastrear armas norte-americanas apreendidas com facções criminosas brasileiras.
Os parlamentares defenderam ainda a ampliação da cooperação entre Brasil, Estados Unidos e Interpol para localizar foragidos, integrar bases de dados criminais e combater o tráfico de pessoas, a exploração de migrantes e a falsificação de documentos.
Novos documentos detalham valores da operação
Documentos revelados pelo site The Intercept Brasil nesta terça-feira (9) apontaram que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, participou de uma operação financeira para enviar recursos aos Estados Unidos destinados ao financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL).
O caso passou a ser associado ao termo “Vaza Flávio”, em referência às negociações conduzidas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o ex-banqueiro.
De acordo com os documentos, Flávio Bolsonaro tentou obter um financiamento superior a R$ 130 milhões para investir no filme. Os registros ajudam a explicar a diferença entre dois valores centrais da negociação.
O primeiro valor corresponde a US$ 24 milhões, equivalentes a R$ 134 milhões pela cotação da época, quantia que teria sido negociada por Flávio Bolsonaro com Vorcaro para financiar a produção. O segundo se refere a US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões naquele período, montante que, segundo o Intercept Brasil, foi efetivamente pago.



