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Valdemar define prazo de quinze dias para avaliar se Flávio Bolsonaro será candidato ou não

Crise envolvendo Daniel Vorcaro amplia pressão no PL e leva cúpula do partido a discutir alternativas para a corrida presidencial

Flávio Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado | Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
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247 – O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, estabeleceu internamente um prazo de 10 a 15 dias para avaliar se Flávio Bolsonaro terá condições políticas de manter sua pré-candidatura à Presidência da República, após o agravamento da crise envolvendo sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo.

O desgaste cresceu depois que o senador admitiu ter viajado a São Paulo para se encontrar pessoalmente com Vorcaro quando o empresário já estava preso, usando tornozeleira eletrônica e impedido de deixar o estado. Segundo Flávio, a conversa teve como único objetivo encerrar tratativas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.

"Fui, sim, até o encontro dele. Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele", declarou o senador.

Flávio também afirmou: "Eu fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. Dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco."

A revelação aumentou o clima de tensão dentro do PL. De acordo com a reportagem, parlamentares e dirigentes passaram a temer o surgimento de novos fatos capazes de atingir diretamente a viabilidade eleitoral do filho de Jair Bolsonaro.

O caso ganhou dimensão após o Intercept Brasil revelar que Vorcaro autorizou um repasse de R$ 61 milhões ao projeto cinematográfico, operação investigada pela Polícia Federal. Também vieram à tona áudios em que Flávio cobra parcelas atrasadas do banqueiro.

Nos bastidores, integrantes da cúpula do PL afirmam que a candidatura será considerada politicamente “inviabilizada” caso apareçam elementos que desmintam a versão apresentada pelo senador de que sua relação com Vorcaro esteve limitada ao financiamento do filme.

A crise ocorre em meio a outros desgastes acumulados pela pré-campanha de Flávio. A escolha de um ex-policial civil para comandar a comunicação irritou setores do partido, enquanto sua postura durante a operação que atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI) afastou parte do Centrão, que já cogita permanecer neutro na eleição presidencial.

Após dias de reuniões reservadas com Jair Bolsonaro, Valdemar Costa Neto e Rogério Marinho, Flávio reuniu cerca de 70 parlamentares do PL em Brasília para tentar conter a crise. Durante o encontro, pediu desculpas por não ter explicado anteriormente detalhes da relação com Vorcaro e insistiu que “não há mais nada” além do projeto cinematográfico.

Mesmo assim, aliados demonstraram desconforto com a condução política do caso e cobraram garantias de que o partido não será surpreendido por novas revelações.

O pastor Silas Malafaia, aliado histórico da família Bolsonaro, resumiu o clima de cautela entre setores evangélicos: "A relação de Flávio com evangélicos esfria, sim, se tiver comprovação de que recebeu dinheiro para mais coisa que o filme. Por enquanto, estamos todos com cautela. Se tiver mais coisa, será difícil apoiar; mas, se não tiver, vamos com Flávio."

Embora Rogério Marinho afirme que "não existe nenhuma chance de Flávio ser substituído", dirigentes do PL já discutem reservadamente alternativas para a disputa presidencial.

Entre os nomes mencionados estão Michelle Bolsonaro, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o próprio Rogério Marinho, atual coordenador da pré-campanha de Flávio.

Qualquer eventual mudança, contudo, dependerá do aval de Jair Bolsonaro, que permanece em prisão domiciliar e mantém contato frequente com o filho e dirigentes do partido.

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