Eleição se desenha com o melhor cenário para Lula: Flávio inviável, mas mantido candidato
Filho de Jair Bolsonaro se tornou tóxico pelas sucessivas mentiras sobre a relação com Vorcaro, mas ficará na disputa, inviabilizando outro nome da direita
247 – O escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro passou a ser tratado por analistas políticos como um fator decisivo para a sucessão presidencial de 2026. Na avaliação predominante, o filho de Jair Bolsonaro entrou em um processo de desgaste irreversível após a divulgação dos áudios publicados pelo Intercept Brasil, mas seguirá candidato justamente porque uma eventual retirada da disputa seria interpretada como admissão de culpa pela própria família Bolsonaro, como relata a colunista Mônica Bergamo.
Integrantes influentes do PT avaliam que a permanência de Flávio na corrida presidencial cria o cenário eleitoral mais favorável ao presidente Lula. Isso porque o senador se tornaria um candidato enfraquecido, mas ao mesmo tempo impediria a consolidação de alternativas competitivas no campo da extrema direita.
Mentiras em série
A interpretação petista é de que a crise do caso “Dark Horse” atingiu diretamente o principal ativo político do bolsonarismo: o discurso moralista construído ao longo dos últimos anos. O episódio envolve pedidos de dinheiro feitos por Flávio Bolsonaro ao então dono do Banco Master para financiar o filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A sucessão de versões contraditórias e explicações consideradas frágeis ampliou o desgaste político do senador.
A repercussão do caso já começou a aparecer nas pesquisas eleitorais. Levantamento Atlas/Bloomberg divulgado nesta terça-feira (19) mostrou uma queda brusca de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra Lula. O senador caiu de 47,8% para 41,8%, enquanto o presidente avançou para 48,9%.
A mudança de cenário foi significativa porque, até poucos dias atrás, o entorno bolsonarista comemorava sinais de recuperação eleitoral. Pesquisa Datafolha divulgada na semana passada apontava empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, ambos com 45% das intenções de voto. No entanto, grande parte das entrevistas havia sido realizada antes da explosão do escândalo envolvendo Vorcaro.
No PT, a leitura predominante é de que o caso atingiu não apenas Flávio, mas toda a narrativa construída pela família Bolsonaro. Para uma liderança petista ouvida pela Folha, retirar o senador da disputa equivaleria a reconhecer que houve irregularidades na relação financeira envolvendo o filme “Dark Horse”. Por isso, a tendência seria mantê-lo na campanha mesmo diante do risco de novas quedas nas pesquisas.
O cenário mudou rapidamente após a divulgação dos áudios pelo Intercept Brasil. Desde então, setores da direita passaram a discutir reservadamente os riscos eleitorais da manutenção da candidatura de Flávio Bolsonaro. Apesar disso, aliados do senador reconhecem que uma retirada da disputa poderia abrir espaço para interpretações ainda mais devastadoras sobre o episódio.
Para o PT, essa armadilha política tende a beneficiar diretamente Lula. Com Flávio enfraquecido, mas ainda ocupando o espaço central do bolsonarismo, outros nomes da direita teriam dificuldade para crescer eleitoralmente e construir uma candidatura competitiva capaz de unificar o campo neoliberal em 2026.



