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Valorização do salário mínimo é o “grande motor” do desenvolvimento brasileiro, diz Esther Dweck

Ministra afirma que política de ganho real foi decisiva para reduzir desigualdade e impulsionar crescimento econômico no Brasil

Esther Dweck (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

247 - A política de valorização do salário mínimo foi apontada como um dos principais fatores de desenvolvimento econômico e redução das desigualdades no Brasil pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. A declaração foi feita nesta sexta-feira (16), durante a cerimônia que marcou os 90 anos de implementação do salário mínimo no país, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro.

Em seu discurso no evento comemorativo, Esther Dweck relembrou as críticas históricas enfrentadas pela política do salário mínimo e destacou seus efeitos positivos ao longo das últimas décadas. Segundo a ministra, o instrumento, criado há nove décadas, tornou-se central para o crescimento econômico com justiça social, especialmente a partir da adoção da política de valorização real nos governos Lula. “O salário mínimo foi criado há 90 anos, importantíssimo. Quando foi criado, falaram mal. Disseram que ia criar um problema no mercado de trabalho”, afirmou.

Ao mencionar o início da política de valorização, há cerca de 20 anos, Esther Dweck ressaltou que previsões negativas semelhantes voltaram a surgir, mas não se confirmaram. “Há 20 anos, quando o senhor começou a política de valorização do salário mínimo, diziam que isso ia gerar desemprego e ia gerar um problema para o nosso país. Na verdade foi um dos grandes motores do desenvolvimento brasileiro”, disse a ministra, dirigindo-se ao presidente Lula.

De acordo com Esther Dweck, foi justamente nos mandatos iniciais de Lula e no atual que o Brasil conseguiu crescer ao mesmo tempo em que reduziu a desigualdade social. Ela destacou que estudos apontam a valorização real do salário mínimo como um dos fatores mais relevantes nesse processo. “Qualquer estudo mostra que uma das coisas mais importantes para a redução da desigualdade foi a política de valorização real do salário mínimo. São políticas como essa que fazem a diferença”, declarou.

A ministra também enfatizou que o impacto do salário mínimo depende diretamente de sua valorização acima da inflação. “O salário mínimo é importantíssimo, mas sem a valorização real não dá o ganho de redução da desigualdade nesse país”, afirmou, reforçando a necessidade de manter políticas públicas voltadas à ampliação do poder de compra da população de menor renda.

Durante o discurso, Esther Dweck relacionou a política de valorização do salário mínimo a outras medidas recentes adotadas pelo governo federal. Ela citou a mudança no Imposto de Renda, aprovada no final do ano passado, como um complemento essencial para o enfrentamento das desigualdades. “Se a gente junta a valorização do salário mínimo com a mudança no Imposto de Renda, para botar os ricos no Imposto de Renda e desonerar as pessoas que ganham até R$ 5 mil, a gente faz uma revolução nesse país”, afirmou.

A cerimônia celebrou um marco histórico da política social brasileira. Instituído em 1936, durante o governo de Getúlio Vargas, o salário mínimo surgiu como resposta às condições precárias de trabalho e tornou-se, ao longo das décadas, um dos pilares da proteção social no país. Apesar de períodos de forte desvalorização, especialmente em contextos de inflação elevada, o instrumento ganhou novo papel a partir de 2006, com a criação da Política de Valorização do Salário Mínimo.

Atualmente, o modelo combina a reposição da inflação medida pelo INPC com o crescimento do Produto Interno Bruto, assegurando ganhos reais aos trabalhadores. Em 2026, além de completar 90 anos, o país celebra duas décadas dessa política. Desde 1º de janeiro, o salário mínimo passou de R$ 1.518 para R$ 1.621, um reajuste de 6,7%, consolidando-se como um dos principais mecanismos de redistribuição de renda e estímulo à economia brasileira.

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