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Vorcaro citou Flávio Bolsonaro em delação para pressionar Mendonça a aceitar acordo, diz Octávio Guedes

Segundo o jornalista, menção ao repasse de R$ 61 milhões teria sido incluída para pressionar André Mendonça no STF

Vorcaro citou Flávio Bolsonaro em delação para pressionar Mendonça a aceitar acordo, diz Octávio Guedes (Foto: Brasil 247 / Dall-E)
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247 - A proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teria incluído o suposto repasse de R$ 61 milhões ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para financiar o filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação foi divulgada pelo jornalista Octavio Guedes, da GloboNews, nesta segunda-feira (18), durante o programa Estúdio i.

Segundo Guedes, a citação ao filho mais velho de Jair Bolsonaro na proposta de colaboração teria uma função política e jurídica: criar constrangimento ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), caso ele decida aceitar ou rejeitar a delação.

De acordo com o comentarista, o trecho sobre o filme e o dinheiro destinado a Flávio Bolsonaro constaria na proposta apresentada por Vorcaro. A leitura feita nos bastidores, segundo ele, é que a inclusão do episódio buscaria pressionar Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, a não recusar o acordo de colaboração.

“A informação que eu tenho é que o filme e o dinheiro dado a Flávio Bolsonaro constavam, ou constam, na proposta de delação do Vorcaro… Então, estava lá essa história do filme, e que isso foi visto como uma manobra pra constranger o ministro André Mendonça”, afirmou Guedes.

O jornalista também comparou a presença de Flávio Bolsonaro na proposta com a ausência de outros nomes. “Veja bem, o Ciro Nogueira não tinha as provas necessárias pra falar do Ciro Nogueira, não tem nada sobre o Alcolumbre, mas o Alcolumbre a gente não sabe se tem ou não, mas do Ciro com certeza deveria ter… E por que se preserva o Ciro e deixa o Flávio?”, questionou.

Na avaliação relatada por Guedes, o objetivo seria colocar Mendonça em uma situação delicada. Se o ministro rejeitasse a delação, poderia ser acusado de tentar proteger Flávio Bolsonaro. Se aceitasse, abriria caminho para uma apuração envolvendo o senador e o entorno político do ex-presidente.

“Na leitura que se faz, essa seria uma forma de constranger o ministro André Mendonça a recusar uma delação porque… Se ele recusa, o André Mendonça, vão dizer ‘ó lá, é porque tá entregando o Flávio Bolsonaro’… Ele ficaria constrangido em recusar… O André Mendonça dizendo ‘não quero essa delação’, vão dizer ‘ah, ele não quer essa delação porque tem o Flávio Bolsonaro, porque você foi indicado pelo Bolsonaro’”, disse o comentarista.

O caso amplia a pressão sobre o STF em meio às investigações relacionadas ao Banco Master. Segundo Octavio Guedes, a Polícia Federal já teria reunido elementos mais robustos do que os oferecidos por Vorcaro na proposta de delação.

“O André Mendonça sabe que o que foi oferecido não tem nem 10% do que ele já sabe pela Polícia Federal”, afirmou Guedes.

O episódio envolvendo “Dark Horse” tornou-se um dos pontos centrais da crise. Conforme a matéria-base, o repasse de R$ 61 milhões teria sido apresentado como financiamento para a produção cinematográfica. A operação, no entanto, teria despertado suspeitas por causa do volume de recursos, da velocidade das transações e da ligação política entre os envolvidos.

A suspeita mencionada na reportagem é que o dinheiro poderia estar relacionado a pagamento de propina ou venda de influência política para favorecer interesses do Banco Master junto a fundos de pensão e órgãos governamentais durante a gestão anterior. Até o momento, a informação central apresentada por Octavio Guedes é que a presença do caso “Dark Horse” na proposta de delação teria impacto direto na análise do acordo por André Mendonça.

Com isso, a eventual colaboração de Daniel Vorcaro deixa de ser apenas uma peça jurídica e passa a ter forte repercussão política. A menção a Flávio Bolsonaro no documento, segundo a leitura apresentada na GloboNews, coloca o ministro relator diante de uma decisão sensível em um caso que envolve o Banco Master, o STF e o núcleo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

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