Vorcaro disse estar ‘sofrendo uma extorsão’ em Brasília
O banqueiro disse à namorada estar sofrendo “uma extorsão bem chata”
247 - Mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e sua namorada, Martha Graeff, indicam que ele afirmou estar sendo vítima de uma “extorsão” em Brasília em setembro de 2024. O conteúdo das conversas faz parte de documentos analisados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS no Senado. As informaões são do G1.
O diálogo ocorreu em 4 de setembro de 2024 e aparece em registros de mensagens obtidos pelos investigadores. Nos documentos, o nome do banqueiro surge abreviado como “DV”.
Na conversa, Vorcaro descreve um momento difícil e menciona estar sendo alvo de pressão. Em um dos trechos do diálogo, ele afirma: “Hoje foi um dia pessimo pra mim”. Ao ser questionado pela namorada sobre o motivo, responde: “Sofrendo uma extorsão bem chata”.
Martha Graeff pergunta quem estaria por trás da situação. O banqueiro, no entanto, não revela nomes e limita-se a comentar: “Difícil me abalar e jogar pra baixo”. A companheira reage demonstrando preocupação: “Tô triste com isso. Espero que se resolva logo 🙏”.
Prisões na Operação Compliance Zero
Daniel Vorcaro foi preso na quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Além dele, também foram detidos seu cunhado Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Mourão Moraes — conhecido como “Sicário” — e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
A prisão ocorreu por volta das 6h, quando Vorcaro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.
Nesta etapa da investigação, a PF apura suspeitas de lavagem de dinheiro, fraude processual e obstrução de Justiça. A operação recebeu o nome de Compliance Zero em referência, segundo os investigadores, à ausência de mecanismos internos de controle nas instituições envolvidas para impedir crimes relacionados à gestão fraudulenta, lavagem de recursos e manipulação de mercado.
Decisão do STF
Em decisão que autorizou medidas no caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou que Daniel Vorcaro lideraria uma espécie de milícia privada voltada ao monitoramento de autoridades e à perseguição de jornalistas.
A decisão marcou a primeira atuação de Mendonça como relator do processo no STF, após assumir o caso em fevereiro, quando o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria.
De acordo com as investigações, a terceira fase da Operação Compliance Zero foi desencadeada a partir de mensagens encontradas no celular de Vorcaro, apreendido em novembro de 2025.
Suspeita de infiltração no Banco Central
Os investigadores também apontam que integrantes do grupo teriam conseguido acesso a informações internas do Banco Central. Segundo a apuração, dois servidores de alto escalão — Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana — seriam suspeitos de receber propina para fornecer dados privilegiados ao banqueiro.


