HOME > Brasil

Mendonça cita "alto escalão da República" envolvido no escândalo do Master

Ministro do STF menciona possível envolvimento de autoridades com foro e decisão reacende debate sobre delação premiada na investigação

André Mendonça (Foto: Sophia Santos/STF)

247 - A investigação relacionada ao chamado caso Master ganhou novos contornos após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que mencionou a possível atuação de integrantes do “alto escalão da República” no esquema investigado pela Polícia Federal. A referência aparece em despacho que trata do avanço das apurações e da estrutura da organização criminosa suspeita de operar com captação ilícita de servidores públicos, destaca Julia Duailibi, do G1.

Um dos focos da operação é revelar como funcionava o chamado “submundo” ligado ao empresário Daniel Vorcaro, incluindo a atuação de seguranças e intermediários e o funcionamento de uma estrutura que investigadores descrevem como semelhante a uma “deep web” ou “dark web” associada ao esquema. Paralelamente, a apuração busca esclarecer suspeitas de corrupção envolvendo integrantes do Banco Central.

Menção ao "alto escalão da República"

Na decisão, Mendonça afirma que a organização criminosa investigada atuava com a captação ilícita de servidores públicos “dos mais altos escalões da República”. Apesar da menção, até o momento os nomes que vieram a público estariam ligados a posições consideradas de segundo ou terceiro escalão dentro do Banco Central.

Esse contraste entre a referência a autoridades de alto nível e a ausência, até agora, de nomes desse perfil nas informações divulgadas tem sido observado por investigadores. Segundo avaliações internas, a identificação de figuras com maior peso institucional seria justamente um dos fatores que justificariam a permanência do caso sob a jurisdição do Supremo Tribunal Federal.

Outro ponto que chama atenção na decisão é que o ministro não mencionou a possibilidade de remeter o inquérito para a primeira instância nem indicou a hipótese de desmembramento da investigação. Entre investigadores, a interpretação é de que esse posicionamento pode sugerir a existência de pessoas com foro privilegiado potencialmente envolvidas no caso, o que deve ser acompanhado nas próximas etapas do processo.

Possível caminho para delação premiada

A decisão também trouxe um elemento considerado relevante pela equipe de investigação: Mendonça acolheu todos os pedidos formulados pelos delegados da Polícia Federal no processo. Em fases anteriores, a PF havia enfrentado divergências com o ministro Dias Toffoli em relação a alguns encaminhamentos da investigação.

Para investigadores, o despacho pode ter impacto direto nas estratégias do caso, inclusive no que diz respeito à possibilidade de delação premiada. Avalia-se que determinadas medidas adotadas podem criar condições que incentivem investigados a considerar a colaboração com as autoridades.

Entre os fatores analisados está a diferença entre as condições de custódia em penitenciárias estaduais e as carceragens da Polícia Federal, geralmente vistas como mais brandas. Nesse contexto, há a percepção de que a decisão judicial pode ampliar a pressão sobre investigados e abrir espaço para negociações de colaboração.

Avaliações nos bastidores da investigação

Nos bastidores da apuração, investigadores discutem a possibilidade de que pessoas próximas a Daniel Vorcaro passem a considerar um acordo de delação premiada. Segundo essas avaliações, essa hipótese não era vista como provável nas fases iniciais do caso.

Caso uma colaboração desse tipo avance, ela precisaria seguir a lógica tradicional das delações: o investigado deve apontar pessoas situadas em níveis superiores da hierarquia do esquema investigado, e não apenas subordinados.

Nesse cenário, a eventual delação poderia trazer novos elementos sobre a estrutura da organização criminosa e sobre possíveis conexões com autoridades mencionadas na decisão do Supremo Tribunal Federal, ampliando o alcance das investigações em andamento.

Artigos Relacionados