Vorcaro segue blindando Ciro Nogueira em 2ª tentativa de delação
Ex-banqueiro sustenta que pagamentos ao senador não tiveram relação com corrupção e diz que “Emenda Master” foi motivada apenas por amizade
247 - Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou a sustentar nas negociações de sua delação premiada que os pagamentos feitos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) teriam relação apenas com amizade, sem corrupção ou contrapartida ligada à emenda que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, relata Bela Megale, no jornal O Globo.
Vorcaro não alterou de forma significativa sua linha de defesa nas conversas mais recentes sobre um possível acordo de colaboração. Segundo envolvidos nas tratativas, ele segue tentando apresentar uma versão mais limitada dos fatos, com foco em reduzir danos e preservar aliados políticos.
A principal blindagem feita por Vorcaro envolve Ciro Nogueira. O empresário sustenta que os pagamentos ao senador não tiveram relação com corrupção nem com benefícios concedidos em troca. A versão apresentada até agora é a de que os valores repassados estariam ligados à amizade entre ambos.
Um dos pontos centrais da investigação envolve uma emenda apresentada por Ciro para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC, de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Vorcaro afirma que a iniciativa do parlamentar teria ocorrido por amizade, sem qualquer contrapartida.
A Polícia Federal, no entanto, apontou que o texto da emenda teria sido produzido dentro do Banco Master. De acordo com a investigação, a proposta foi elaborada pela assessoria da instituição financeira, encaminhada a Daniel Vorcaro, impressa e entregue em um envelope destinado a “Ciro” na residência do senador.
Outro ponto sob análise é a compra de participação societária de uma empresa ligada a Vorcaro pela CNLF, companhia que tem Ciro Nogueira como sócio e é administrada pelo irmão do parlamentar. O dono do Master tem classificado a operação como uma “oportunidade de negócio”.
Vorcaro nega que a aquisição tenha representado uma forma de pagamento por serviços prestados. A transação, segundo a investigação, foi realizada por R$ 1 milhão, embora a participação fosse avaliada em R$ 13 milhões.
A defesa de Ciro Nogueira afirma que o senador não participou de atividades ilícitas. Já os advogados de Vorcaro pediram autorização para manter um regime especial de visitas ao cliente, que está preso, até a primeira quinzena deste mês, com o objetivo de trabalhar na proposta de delação.
O pedido foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, com aval da PF e do Ministério Público. A primeira proposta apresentada por Vorcaro foi considerada fraca e acabou rejeitada pela PF.



