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Vorcaro vê ações como legítimas, acredita que não cometeu crimes e complica delação, dizem aliados

PF e PGR consideram informações apresentadas insuficientes para acordo, ex-banqueiro diz que atuou nos limites das relações entre o setor público e privado

Danmiel Vorcaro, a PF no Distrito Federal e, ao fundo, a Papudinha (Foto: Reprodução I Divulgação (redes sociais))
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247 - Aliados do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apontam que a principal dificuldade para o avanço das negociações de um acordo de delação premiada do empresário está na resistência dele em admitir que tenha cometido crimes ou agido de forma antiética em suas relações com agentes públicos. 

De acordo com cinco interlocutores ouvidos pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo,entre representantes das áreas jurídica e empresarial que acompanharam diferentes momentos da trajetória do ex-dono do Banco Master, existe uma avaliação comum de que Vorcaro acredita ter atuado dentro dos limites aceitos nas relações entre o setor privado e o poder público.

Na visão dessas fontes, o empresário atribui sua situação atual não às próprias condutas, mas à atuação de adversários do mercado financeiro. Um dos interlocutores afirmou à Folha que Vorcaro considera ter sido alvo de ações articuladas por concorrentes que teriam contribuído para sua queda.

Essa percepção, segundo os relatos, também se estenderia a operações financeiras investigadas pelas autoridades. Pessoas próximas sustentam que o empresário entende que suas movimentações seguiram brechas permitidas pela legislação, sem ultrapassar os limites legais.

Um dos profissionais que acompanham o caso afirmou que "a ficha dele está caindo muito lentamente", numa referência à dificuldade de Vorcaro em reconhecer possíveis irregularidades. Segundo a publicação, essa postura teria impacto direto na qualidade das informações prestadas à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) durante as negociações para uma segunda tentativa de acordo de colaboração premiada.

As autoridades responsáveis pelas tratativas avaliam que os elementos apresentados até o momento são insuficientes para viabilizar um acordo. Conforme a reportagem, investigadores consideram as informações fornecidas como seletivas e limitadas, o que impede avanços nas negociações.

Relações com autoridades

Entre os episódios citados pelos interlocutores está a contratação do escritório de advocacia de Viviane de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Vorcaro não enxergaria a contratação, estimada em R$ 129 milhões, como algo eticamente questionável.

Um dos entrevistados pela coluna declarou que "ele acreditava que o Alexandre de Moraes era a pessoa mais poderosa do país e que era bom tê-lo por perto. A mera proximidade amedrontaria e neutralizaria seus adversários no mundo financeiro, sem que o ministro precisasse fazer nada de concreto em seu favor".

Os interlocutores afirmam ainda que o empresário via sua aproximação com políticos influentes de diferentes espectros partidários como uma prática comum no ambiente empresarial. Entre os exemplos mencionados está a relação com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), a quem teria custeado viagens e outras despesas.

Na interpretação atribuída a Vorcaro, essas ações não configurariam pagamento de vantagens indevidas, mas iniciativas semelhantes às adotadas por empresários que buscam manter relações próximas com figuras de influência política. 

A mesma lógica teria sido aplicada, segundo a reportagem, ao financiamento do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro (PL), realizado a pedido do senador Flávio Bolsonaro (Pl-RJ). 

Um dos advogados ouvidos pela coluna resumiu essa visão ao afirmar que "ele realmente não acha que suas contribuições financeiras foram pagamento de propina".

Pressão das investigações

Ainda segundo os relatos, Vorcaro interpretaria eventuais benefícios recebidos de autoridades como demonstrações de reciprocidade e amizade, e não como atos de corrupção.

Entre os casos citados está uma emenda apresentada por Ciro Nogueira relacionada ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), apontada por interlocutores como medida que poderia favorecer diretamente o Banco Master. Outro episódio envolve o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso sob suspeita de receber imóveis avaliados em R$ 146 milhões em troca da autorização para aquisição de carteiras de crédito problemáticas do Banco Master.

De acordo com uma das fontes ouvidas pela coluna, Vorcaro argumentaria que a negociação de fusão entre as instituições justificaria a aproximação e os benefícios concedidos ao executivo.

Apesar da resistência inicial, pessoas próximas afirmam que o empresário estaria começando a compreender a necessidade de alterar a forma como apresenta os fatos às autoridades. A pressão exercida pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República teria levado a uma revisão de sua estratégia de defesa.

A reportagem destaca ainda que, segundo informações publicadas anteriormente pelo jornal O Estado de São Paulo, Vorcaro já teria modificado a terminologia utilizada para explicar repasses financeiros destinados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), substituindo a justificativa de "amizade" pela expressão "propinas" em tratativas relacionadas à colaboração com as autoridades.

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