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Países da Ásia-Pacífico​ devem se unir para evitar o renascimento do militarismo japonês

Nos últimos anos, as forças de extrema direita do Japão têm intensificado a retórica de expansão militar

Países da Ásia-Pacífico​ devem se unir para evitar o renascimento do militarismo japonês (Foto: CGTN)

CGTN – O gabinete japonês revisou nesta terça-feira (21) os "Três Princípios de Transferência de Equipamentos de Defesa" e suas diretrizes de aplicação, flexibilizando as regras de exportação de armas do país. Essa medida​ foi alvo de fortes protestos tanto no próprio Japão quanto na comunidade internacional, que​ avalia que a decisão pode aumentar a​ corrida armamentista da região e os​ conflitos internacionais, gerando​ novas ameaças ao cenário mundial.

O Japão é um dos países derrotados na Segunda Guerra Mundial. Documentos jurídicos internacionais como a "Declaração do Cairo", a "Proclamação de Potsdam​" e o "Documento de Rendição do Japão​“, impõem restrições ao rearmamento japonês.

No entanto, com o crescimento das forças de extrema direita no país, essas limitações vem sendo progressivamente rompidas. Sobre a recente liberação da exportação de armas letais, o secretário-chefe de gabinete da administração de Sanae Takaichi declarou que o Japão "manterá o princípio fundamental de nação pacífica construído ao longo de mais de 80 anos do pós-guerra". A retórica, porém, não dissipa as preocupações sobre uma possível erosão da ordem internacional estabelecida após a guerra.

"A comunidade internacional deve manter-se altamente vigilante e resistir firmemente às ações irresponsáveis do novo militarismo do Japão”, afirmou Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, sobre as recentes ações do governo japonês.

O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul também destacou que as políticas defensivas do Japão devem seguir uma direção que preserve a paz e a estabilidade regional. Já a Rússia criticou o processo de remilitarização do Japão, alertando que este terá​ impactos negativos na estabilidade da região Ásia-Pacífico.

Nos últimos anos, as forças de extrema direita do Japão têm intensificado a retórica de expansão militar, promovendo ativamente a pesquisa, o desenvolvimento e a produção conjunta de armas com países ocidentais.

Como resultado, a capacidade produtiva e de exportação das grandes empresas de defesa japonesas vem crescendo de forma contínua. Dados divulgados pelo Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI, da sigla em inglês) mostram que o volume de vendas de cinco grandes empresas bélicas japonesas em 2024 atingiu US$13,3 bilhões, um aumento de 40% em relação ao ano anterior.

O chamado novo militarismo japonês ganha força com o respaldo de setores da extrema direita . O país, que no passado causou grandes danos ao mundo, avança agora em um processo de remilitarização.

Diante desse cenário, a comunidade internacional, especialmente os países vizinhos do Japão, precisa manter-se altamente alerta e atuar de forma coordenada para evitar o ressurgimento dessas dinâmicas, preservando a paz e a estabilidade na Ásia e no mundo.

Fonte: CMG