Secretário do MinC reage a áudio de Flávio Bolsonaro para Vorcaro e expõe contradição bolsonarista sobre a Lei Rouanet
Márcio Tavares criticou pedido milionário “no escurinho do zap” para financiar filme e afirmou que a Rouanet tem transparência e prestação de contas
247 - O secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, criticou nesta quinta-feira (14) o senador Flávio Bolsonaro após a confirmação de que o parlamentar pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção inspirada em Jair Bolsonaro. Na publicação, Márcio Tavares associou o episódio às críticas recorrentes feitas pelo bolsonarismo à Lei Rouanet e afirmou que o mecanismo possui regras de transparência e prestação de contas.
“Flávio Bolsonaro se gaba de ter ‘zero lei Rouanet’ no filme de R$ 134 milhões sobre o pai. O fato é que a Rouanet tem transparência, prestação de contas e limite de captações. Mas o método deles foi pedir dezenas de milhões no escurinho do zap para um banqueiro preso por fraudes bilionárias”, escreveu.
Em outro trecho, o secretário-executivo do Ministério da Cultura afirmou: “O cinema nacional e a Rouanet agradecem por não serem associadas a esse roteiro de terror.”
Entenda o caso
A declaração ocorre após Flávio Bolsonaro confirmar, na terça-feira (13), a autenticidade do áudio divulgado pelo Intercept Brasil no qual solicita recursos financeiros a Daniel Vorcaro para concluir o longa-metragem sobre o ex-presidente.
O senador admitiu ter buscado “patrocínio privado para um filme privado” e negou qualquer irregularidade na negociação. A matéria original informou que mensagens, documentos e gravações obtidos pelo Intercept apontam tratativas envolvendo até 24 milhões de dólares, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época.
O áudio divulgado pelo Intercept mostra Flávio Bolsonaro cobrando pagamentos relacionados ao financiamento do filme Dark Horse. Em um dos trechos, o senador afirma:“Imagina a gente dar calote no Jim Caviezel, no Cyrus, em nomes tão renomados do cinema americano e mundial. Isso poderia ser muito ruim”.
A repercussão do caso ampliou a pressão política sobre o entorno bolsonarista e gerou novos pedidos de investigação sobre as relações entre Daniel Vorcaro, o Banco Master e figuras ligadas ao bolsonarismo.



