"A escalada do Banco Master ocorreu com Campos Neto e a sangria foi estancada no governo Lula", diz Haddad à TV 247
Pré-candidato ao governo de SP diz que 'toda liberação de atuação do Banco Master aconteceu entre 2019 e 2024, na gestão de Campos Neto' à frente do BC
247 - O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, rebateu as críticas da oposição, que tenta atribuir ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a culpa pela crise decorrente da liquidação do Banco Master pelo Banco Central (BC). Em entrevista exclusiva ao programa Boa Noite 247, exibido pela TV 247, Haddad destacou que a crise começou a se desenhar em 2019, quando Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro (PL), assumiu a presidência do BC.
"Quando começa uma série de autorizações para que o banco expanda suas atividades? Ela começa no final de 2019. No começo de 2019, sob a presidência de Ilan Goldfajn, o Banco Master recebe uma negativa do Banco Central. Isso em fevereiro de 2019. No final de 2019, já com Roberto Campos Neto na presidência [do BC], começa uma escalada do Banco Master a partir de uma série de autorizações que ele vai recebendo para atuar no mercado financeiro de forma mais ampla e para adquirir instituições financeiras. Pequenos bancos foram sendo adquiridos ao longo do tempo", disse Haddad.
Ainda segundo ele, "do final de 2019 até o final de 2024, essas autorizações, essa liberalidade, são feitas para o Banco Master, que vai dobrando de tamanho a cada ano até atingir um passivo de R$ 80 bilhões, boa parte dos quais garantida pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que é um fundo privado abastecido com recursos dos grandes bancos brasileiros. Depois de 2024, quando toma posse o presidente do Banco Central indicado pelo presidente Lula, que é o Galípolo, estanca-se a sangria do Banco Master".
Na entrevista, ele ressaltou que todas as autorizações para que o Banco Master pudesse atuar praticamente sem restrições aconteceram durante os seis anos em que Roberto Campos Neto esteve à frente do comando do BC.
"Toda liberação de atuação do Banco Master aconteceu entre 2019 e 2024, ou seja, na gestão de Roberto Campos Neto. Nem antes, na gestão Ilan Goldfajn, nem depois, na gestão do Galípolo. Ou seja, nos quase seis anos de gestão de Roberto Campos Neto, que é a pessoa que assumiu a presidência do Banco Central quando o Bolsonaro toma posse, pouco depois da sabatina, e vai deixar o cargo dois anos depois da posse do presidente Lula".
Ainda segundo ele, "o pecado original que foi cometido foi o de supervisão desta instituição financeira. O BC foi alertado por muita gente, por CEOs, por banqueiros, pelo FGC, pela Febraban, pela Confederação das Instituições Financeiras. Todo mundo alertou o BC durante anos de que alguma coisa muito errada estava acontecendo no Banco Master".
"Eu entro no circuito pessoalmente, como ministro da Fazenda, a partir de uma reunião pedida pela Febraban, da qual participaram todos os principais CEOs de bancos, em que, até naquele momento, suspeita de corrupção — estou falando de janeiro de 2025, pouco mais de um ano atrás — já era coisa consolidada no seio do sistema financeiro. As pessoas diziam que 'não é possível que tudo que está acontecendo com o Banco Master não tenha alguma corrupção por trás, no Banco Central'", destacou.
"Tenho insistido em dizer que tudo que aconteceu de errado com dinheiro, inclusive até tentar comprar apoio seja lá onde for, na classe política, na magistratura, nos escritórios de advocacia, não importa. Tudo isso é derivado deste pecado original, que é o de colocar R$ 80 bilhões na mão de uma instituição inteiramente desprovida de condições de gerir estes recursos da maneira como vinham sendo geridos", ressaltou o ex-ministro ao final.
Veja a íntegra da entrevista na TV 247:


