Ações da Fictor Alimentos despencaram após tentativa de compra do Master
Crise reputacional, queda histórica na bolsa e recuperação judicial marcam fase mais turbulenta do grupo empresarial
247 - As ações da Fictor Alimentos S.A., empresa do Grupo Fictor listada na B3 sob o código FICT3, sofreram uma forte desvalorização após a tentativa frustrada de compra do Banco Master, anunciada em novembro de 2025. Desde então, os papéis acumulam uma queda superior a 63%, refletindo o impacto direto da crise de confiança e da restrição ao acesso a crédito enfrentada pelo conglomerado. Apenas nesta segunda-feira (2), as ações recuaram 25,44% e passaram a ser negociadas a R$ 0,85 por volta das 10h17, segundo o G1.
De acordo com a empresa, a operação envolvendo o Banco Master desencadeou um “grande volume de notícias negativas”, que teria atingido “duramente a liquidez” de duas subsidiárias do grupo. Apesar de a Fictor sustentar que as demais operações seguem em funcionamento normal, o efeito no mercado financeiro se espalhou, afetando também outras empresas do conglomerado e ampliando a pressão sobre os papéis negociados em bolsa.
Fundada em 2007, a Fictor iniciou suas atividades no setor de tecnologia, atuando como fornecedora de soluções para logística e gestão empresarial. A partir de 2013, o grupo passou a realizar operações de investimento e deu início a um processo de diversificação de seus negócios. Com o tempo, ampliou sua presença em diferentes setores da economia, consolidando-se como um conglomerado com atuação nas áreas de alimentos, energia, infraestrutura, mercado imobiliário e serviços financeiros.
No segmento de alimentos, a Fictor ingressou no comércio de commodities do agronegócio em 2018, fortalecendo sua atuação ao longo da cadeia produtiva. No setor de proteína animal, mantém fábricas, granjas e frigoríficos em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A capacidade instalada permite o abate de até 150 mil aves por dia, com possibilidade de chegar a 350 mil em plena operação. Segundo a empresa, o grupo possui mais de 18 unidades nesse segmento, atende cerca de 5 mil clientes e reúne marcas como Dr. Foods, Fredini e Vensa.
A expansão continuou nos anos seguintes. Em 2023, o grupo entrou no setor de energia com a criação da Fictor Energia, voltada principalmente para fontes renováveis, como usinas solares e hidrelétricas em estados como Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo. Em 2024, ampliou sua atuação no setor financeiro com a criação da FictorPay e da Fictor Asset, passando a oferecer soluções de meios de pagamento, crédito e gestão de investimentos.
A Fictor Asset é responsável pela gestão de fundos estruturados e outros ativos, administrando cerca de R$ 966 milhões distribuídos em 10 fundos. Já a FictorPay atua no mercado de meios de pagamento, com soluções de cobrança, crédito e tecnologia financeira voltadas a empresas. No campo da infraestrutura, o grupo desenvolve projetos imobiliários, logísticos e de geração de energia.
Também em 2024, a Fictor Alimentos S.A. passou a ter suas ações negociadas na B3, ampliando sua exposição ao mercado de capitais. Entre 2024 e 2025, o grupo abriu escritórios no exterior, com unidades em Miami, nos Estados Unidos, e em Lisboa, em Portugal, além da sede em São Paulo. A empresa afirma empregar mais de 10 mil pessoas, direta e indiretamente.
Além da atuação empresarial, o Grupo Fictor ganhou projeção nacional por meio de patrocínios esportivos. Em 2025, firmou contrato com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), considerado o maior patrocínio privado da história da entidade, com repasses de R$ 21 milhões até março de 2029. O grupo também se tornou patrocinador máster das categorias de base do Palmeiras e passou a estampar sua marca nas costas da camisa do time profissional. O contrato inicial prevê três anos de duração, com valor fixo de R$ 25 milhões por temporada, podendo chegar a R$ 30 milhões com bônus.
O agravamento da crise levou o grupo a ingressar com pedido de recuperação judicial. Segundo a empresa, as dívidas somam cerca de R$ 4 bilhões, e a medida busca reorganizar as finanças sem interromper as operações. A Fictor atribui o colapso financeiro ao episódio ocorrido em novembro de 2025, quando um consórcio liderado por um de seus sócios anunciou a compra do Banco Master, operação posteriormente suspensa após o Banco Central decretar a liquidação da instituição.
Antes de recorrer à Justiça, o grupo afirma ter iniciado um plano de reestruturação, que incluiu a redução de estrutura física e de pessoal. As demais subsidiárias ficaram fora do pedido de recuperação judicial e, segundo a empresa, devem manter suas atividades normalmente.

