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Aliados de Vorcaro apostam em suspensão da liquidação do Banco Master no TCU

Entorno do controlador do banco vê inspeção no BC como sinal de reversão, enquanto ala do tribunal reage contra possível liminar

Aliados de Vorcaro apostam em suspensão da liquidação do Banco Master no TCU (Foto: Divulgação )

247 - Aliados de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, demonstram confiança de que o Tribunal de Contas da União (TCU) deverá suspender a liquidação extrajudicial da instituição ainda neste mês de janeiro, mesmo durante o recesso da Corte. No círculo político e empresarial próximo ao banqueiro, a leitura é de que o ambiente interno no tribunal favoreceria uma decisão nesse sentido, resumida na frase repetida por um dos interlocutores: o TCU “está dominado”.

As informações foram publicadas por Lauro Jardim, do jornal O Globo, e apontam que a determinação de uma inspeção no Banco Central (BC), feita pelo ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no TCU, é vista por esse grupo como o primeiro movimento concreto para encerrar o processo de liquidação. Segundo essa avaliação, a iniciativa contaria ainda com a simpatia do presidente do TCU, Vital do Rêgo.

O despacho que formaliza a inspeção deve ser publicado ainda hoje. A partir dele, técnicos do tribunal deverão se deslocar ao Banco Central entre terça e quarta-feira para analisar documentos do Banco Master que não foram incluídos na nota técnica enviada ao TCU em 30 de dezembro. Trata-se, segundo o próprio BC, de uma documentação sigilosa, que só pode ser consultada “em ambiente seguro”, nas dependências da autoridade monetária.

A nota técnica encaminhada pelo Banco Central foi uma resposta a um pedido feito por Jhonatan de Jesus em 18 de dezembro, quando o relator solicitou a apresentação detalhada dos fundamentos que levaram à decretação da liquidação extrajudicial do banco controlado por Vorcaro.

Apesar do otimismo demonstrado pelos aliados do banqueiro, o cenário dentro do TCU está longe de ser consensual. Uma ala do tribunal se posiciona de forma contundente contra qualquer suspensão da liquidação do Master. Para esse grupo, a medida adotada pelo Banco Central decorreu de uma crise de liquidez considerada crônica, somada a fraudes identificadas pela área de fiscalização da autarquia. A avaliação interna é direta: o banco estaria quebrado.

Esse grupo contrário à reversão da liquidação já articula uma reação caso o relator conceda, de forma monocrática, uma liminar que suspenda o processo durante o recesso. A estratégia seria exigir a convocação de uma sessão extraordinária do colegiado, mesmo nesse período, para derrubar rapidamente uma eventual decisão individual que devolva a operação do banco.

O clima descrito por integrantes do tribunal é de forte tensão. De um lado, cresce a pressão em favor do Banco Master, atribuída a gabinetes influentes. De outro, há uma mobilização preventiva para impedir que a liquidação seja interrompida sem o aval do plenário do TCU, em um embate que tende a se intensificar nas próximas semanas.

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