Ata do Copom confirma sinalização sobre corte de juros em março
Segundo o documento, a decisão de antecipar a indicação de um possível corte foi tomada após a análise da “dinâmica recente da inflação”
247 - O Banco Central indicou que considera apropriado iniciar um ciclo de redução da taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para março, mas deixou claro que ainda não há definição sobre a intensidade ou a duração desse processo. A sinalização consta na ata da última reunião do colegiado, realizada na semana passada, quando a Selic foi mantida em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva.
Segundo o documento, a decisão de antecipar a indicação de um possível corte foi tomada após a análise de um “amplo conjunto de informações, incluindo a dinâmica recente da inflação e os sinais mais claros de transmissão da política monetária, considerando suas defasagens”.
A taxa básica de juros é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para conter pressões inflacionárias, com impacto mais sensível sobre a renda das camadas mais pobres da população. Mesmo ao apontar para uma futura flexibilização, a autoridade monetária destacou que seguirá adotando uma postura restritiva até que haja segurança quanto à convergência da inflação para a meta estabelecida.
Na semana passada, o próprio Banco Central já havia informado que, caso o cenário esperado se confirme, dará início ao processo de afrouxamento monetário em março. Ainda assim, o Copom evitou antecipar qualquer sinalização sobre o tamanho do ciclo de cortes. De acordo com a ata, “mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de distensão monetária serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises, permitindo uma avaliação mais precisa”.
No mercado financeiro, a expectativa predominante é de que a Selic comece a recuar já em março, com uma redução inicial para 14,5% ao ano. Para o fim de 2026, as projeções indicam juros em torno de 12,25% ao ano, segundo estimativas de economistas.
O Banco Central define a taxa de juros com base no sistema de metas de inflação. Quando as projeções estão alinhadas com o objetivo estabelecido, há espaço para redução dos juros; quando superam a meta, a tendência é de manutenção ou elevação da Selic. Desde o início de 2025, com a adoção do regime de meta contínua, o centro da meta foi fixado em 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Como a inflação permaneceu acima do limite por seis meses consecutivos até junho do ano passado, a autoridade monetária foi obrigada a divulgar uma carta pública explicando os motivos do descumprimento. Ao tomar decisões, o Banco Central considera projeções futuras, e não apenas a variação recente dos preços, uma vez que os efeitos da política monetária levam de seis a 18 meses para se refletirem plenamente na economia.
Atualmente, as decisões do Copom já têm como horizonte o terceiro trimestre de 2027. As estimativas mais recentes do mercado apontam inflação de 3,99% em 2026, 3,80% em 2027 e 3,5% em 2028 e 2029, todas acima da meta central de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional.
Na ata, o Banco Central voltou a defender a manutenção dos juros em níveis elevados até que se consolide não apenas o processo de desaceleração da inflação, mas também a ancoragem das expectativas do mercado. O documento cita a persistência de pressões sobre os preços, especialmente associadas ao dinamismo do mercado de trabalho.
“O Comitê avalia que a condução cautelosa da política monetária tem contribuído para se observar ganhos desinflacionários e, mais uma vez, reafirma o firme compromisso com o mandato do Banco Central de levar a inflação à meta”, afirma o texto.


