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Atuação do governo Lula faz combustíveis subirem menos no Brasil do que no resto do mundo, aponta estudo

Levantamento mostra que gasolina e diesel tiveram altas abaixo da média internacional diante da crise provocada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã

Atuação do Governo Lula faz combustíveis subirem menos no Brasil do que no resto do mundo, aponta estudo (Foto: José Cruz/Agência Brasil / Ricardo Stuckert / PR)
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247 - Os preços dos combustíveis no Brasil registraram aumentos inferiores à média internacional durante o período de maior impacto da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre o mercado de petróleo. Segundo estudo do Instituto de Pesquisa em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), divulgado pela Rede PT de Comunicação, o desempenho é resultado das medidas adotadas pelo Governo Lula para reduzir os efeitos da alta internacional sobre consumidores e empresas.

O 37º Boletim de Preços do Ineep aponta que, entre 23 de fevereiro e 8 de junho, a gasolina acumulou alta de 4,9% no Brasil, enquanto o diesel avançou 13,6%. No mesmo intervalo, a média global foi de 17,5% para a gasolina e de 23,3% para o diesel.

Durante o conflito no Oriente Médio, o petróleo Brent ultrapassou a marca de US$ 100 por barril. Em resposta ao cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou, em 25 de maio, o Decreto nº 12.984/2026, que regulamentou a concessão de subvenção econômica extraordinária a produtores e importadores de gasolina e óleo diesel rodoviário. A medida garantiu repasse de R$ 0,44 por litro de gasolina e estabeleceu nova subvenção de R$ 0,35 por litro de diesel.

Dias antes, em 13 de maio, o governo publicou a Medida Provisória nº 1.358/2026, ampliando os mecanismos de fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para coibir aumentos considerados abusivos nos preços dos combustíveis.

Mesmo após o anúncio do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, o governo federal decidiu ampliar o pacote emergencial. As novas medidas regulamentaram as subvenções já implementadas, fixaram os valores aplicáveis à gasolina "A" e ao diesel "A" de uso rodoviário, prorrogaram benefícios fiscais para querosene de aviação e biodiesel, estenderam mecanismos de apoio ao GLP e instituíram nova subvenção destinada ao diesel rodoviário.

Intervenções reduziram pressão sobre os preços

Segundo o Ineep, os dados de maio mostram queda nos preços praticados pelas refinarias privadas após reajustes expressivos registrados anteriormente. A Petrobras, por sua vez, manteve trajetória de maior estabilidade, acumulando desde o início do conflito aumento de R$ 0,32 no diesel e de R$ 0,04 na gasolina.

"O efeito das políticas de isenção e subsídio fiscal do Governo Federal, para o caso do diesel, da política de preços da Petrobras, somados ao leve recuo do preço do barril, já podem ser percebidos nas médias mensais dos preços dos combustíveis em maio. A gasolina e o diesel registraram recuos, e o GLP, estabilidade. O etanol hidratado, por sua vez, apresentou queda expressiva, de 7,3%, refletindo o início da safra 2026/2027 e aumento da oferta, em intensidade ainda maior do que a observada em anos anteriores", afirma o instituto.

O levantamento também mostra que, no fim de maio, o Preço de Paridade de Importação (PPI) do diesel calculado pela ANP acumulava queda de 14,3% em relação ao fim de abril, atingindo R$ 4,92. No mesmo período, a Petrobras manteve o preço em R$ 3,68, valor 25,1% inferior ao praticado no mercado internacional.

Impacto sobre a inflação

O Ineep também avaliou os efeitos da alta dos combustíveis sobre a inflação brasileira. De acordo com o estudo, o IPCA-15 registrou alta de 0,44% em março, acelerou para 0,89% em abril e desacelerou para 0,62% em maio.

"Embora ainda seja necessário acompanhar os próximos meses para avaliar a consolidação dessa tendência, os dados sugerem que as medidas adotadas pelo Governo Federal para conter os preços dos combustíveis e a atuação da Petrobras, ampliando sua produção de derivados e mantendo maior estabilidade nos preços, contribuíram para limitar as pressões inflacionárias", informa o instituto.

O estudo acrescenta que as ações emergenciais são importantes, mas insuficientes para enfrentar vulnerabilidades estruturais do setor de petróleo. Como alternativas, recomenda fortalecer a Petrobras, ampliar a capacidade nacional de refino e recompor a presença da estatal em áreas estratégicas da cadeia de abastecimento, especialmente na distribuição.

Especialista cita papel do etanol

Em entrevista à Rede PT de Comunicação, o professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Brasília (UnB) Eugênio Libório Feitosa Fortaleza avaliou que o Brasil conseguiu absorver melhor os efeitos da volatilidade internacional sobre os combustíveis.

"O país está de parabéns, resistiu muito bem", afirmou. Segundo o pesquisador, a produção nacional de etanol garante maior segurança energética e reduz a dependência da gasolina.

"Vale a pena destacar a posição privilegiada do Brasil, que, historicamente, tem a produção do álcool de cana, e vem crescendo, recentemente, a produção de álcool de milho. E isso vem favorecendo uma disponibilidade de álcool e uma independência brasileira em relação ao consumo de gasolina", declarou.

Sobre o diesel, o professor classificou como positiva a atuação do governo, mas afirmou que ainda há espaço para ampliar a capacidade nacional de produção.

"Nesse sentido, o diesel carece de investimento nas refinarias do país de maneira a ter sistemas de hidrocraqueamento, que são unidades que, a partir do uso do hidrogênio, permitem a transformação de derivados menos valorizados, de cadeias mais longas, tipicamente óleo de caldeira, em óleo diesel", explicou.

"Ajudaria bastante termos mais oferta de diesel sem ter uma necessidade de aumentar o refino de petróleo e equilibrar melhor nosso balanço energético. Para isso, o governo federal já tem uma iniciativa positiva: tem aberta uma chamada conjunta para o desenvolvimento de eletrolisadores, isso deve ajudar a produção de hidrogênio […] Esse é o caminho para que o diesel alcance um resultado de independência forte como o da gasolina", concluiu.

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