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BNDES investe 1,74% do PIB em infraestrutura por ano e projeta R$ 300 bi para 2026

Volume chegou a R$ 280 bilhões em 2026

Sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Rio de Janeiro (Foto: Agência Brasil )

247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atravessa um período de forte expansão dos investimentos em infraestrutura, com impacto direto na integração regional, no aumento da competitividade e no enfrentamento dos desafios climáticos. A avaliação foi apresentada pelo presidente da instituição, Aloizio Mercadante, durante um seminário realizado na sede do banco, no Rio de Janeiro, com a participação de representantes do governo federal, do setor privado e de instituições financeiras.

Os dados apresentados no evento “Superciclo de Investimentos em Infraestrutura – Avanços e Desafios”. Segundo os números expostos, o banco alcançou, na atual gestão, uma média anual de R$ 218 bilhões em investimentos em infraestrutura, o equivalente a 1,74% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2025, o volume chegou a R$ 280 bilhões, e a projeção é atingir R$ 300 bilhões em 2026.

Superciclo consolida papel estratégico do banco

Ao abrir o encontro, Mercadante afirmou que o país vive “um ciclo de expansão da infraestrutura historicamente muito importante”. Segundo ele, os investimentos têm papel central na redução do custo do país e no fortalecimento da agenda ambiental. “A infraestrutura é um eixo decisivo para reduzir o custo do país, ampliar a competitividade e avançar na agenda de estabilidade do clima e de enfrentamento dos eventos climáticos extremos. A descarbonização se mostra uma tarefa essencial para um banco público de desenvolvimento”, declarou.

O presidente do BNDES também ressaltou a importância das decisões do Tribunal de Contas da União (TCU), por meio do mecanismo Secex Consenso, para a retomada de projetos estruturantes. De acordo com Mercadante, a iniciativa contribui para reduzir litígios prolongados, ampliar a segurança jurídica e aumentar a previsibilidade dos investimentos.

Novo modelo de financiamento e segurança jurídica

A diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa, destacou a mudança na forma de atuação do banco. “Estamos celebrando um ciclo de investimentos sustentável. O BNDES passou a atuar com financiamento sem subsídios, ampliando a inovação e o cofinanciamento com o setor privado”, afirmou. Ela explicou que o novo modelo busca ampliar a participação do mercado na estruturação dos projetos, mantendo o papel do banco como indutor do desenvolvimento.

Avanços em mobilidade urbana e saneamento

No eixo da mobilidade urbana, Mercadante destacou que o BNDES é atualmente o maior investidor em ônibus elétricos da América Latina. Apenas na cidade de São Paulo, foram entregues 2.500 veículos elétricos. Os investimentos do banco no setor cresceram 41% no último período, alcançando R$ 31 bilhões, além do apoio a obras como a expansão da Linha 2 do Metrô de São Paulo.

Presente na abertura do evento, o ministro das Cidades, Jader Filho, ressaltou a importância da previsibilidade dos recursos. Segundo ele, estão garantidos para 2026 R$ 8 bilhões para mobilidade urbana e R$ 8 bilhões para saneamento, por meio do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Expansão das rodovias e concessões

No setor rodoviário, Mercadante destacou a modernização da Rodovia Presidente Dutra, aprovada em 2024 e classificada como o maior projeto rodoviário da história do país. O investimento total é de R$ 10,75 bilhões, em parceria com a concessionária Motiva.

O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o Brasil passou a contar com o maior pipeline de concessões rodoviárias do mundo, resultado do apoio técnico e financeiro do BNDES e da mudança no modelo de financiamento público-privado.

O CEO da Motiva, Miguel Setas, destacou o Brasil como destino estratégico para investimentos, citando a estabilidade macroeconômica, o controle da inflação, a segurança jurídica, a estabilidade institucional e a qualidade dos projetos estruturados com apoio do BNDES e do governo federal.

Entre os principais projetos anunciados está a duplicação de 462 quilômetros de rodovias no Paraná, com investimento de R$ 9,2 bilhões, em parceria com a concessionária EPR Iguaçu. O projeto prevê melhorias em 662 quilômetros de rodovias nas regiões oeste e sudoeste do estado, incluindo as pontes Tancredo Neves, da Amizade e a nova ponte Brasil–Paraguai.

Outro destaque foi a concessão da EcoRioMinas, anunciada em 2025, com R$ 7,3 bilhões em investimentos em trechos das rodovias BR-116, BR-465 e BR-493, beneficiando 36 municípios do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.

Ferrovias ganham novas condições de crédito

Os aportes em ferrovias também avançaram, passando de R$ 25 milhões para R$ 40 milhões em três anos. Mercadante anunciou um novo ciclo de investimentos no setor, com previsão de oito leilões estimados em R$ 140 bilhões.

“A nossa malha ferroviária é pequena. Então, como é um retorno muito baixo e uma maturação muito longa, nós vamos aumentar o prazo de financiamento e a carência para o setor. Vamos entrar para valer nesse mercado. Agora, somos um banco público de fomento e precisamos de parceria com o setor privado”, afirmou.

Aeroportos recebem investimentos estruturantes

No setor aeroportuário, o BNDES apresentou os investimentos na ampliação, modernização e manutenção de 11 aeroportos, em parceria com a AENA, totalizando R$ 4,7 bilhões. Entre os terminais contemplados estão Congonhas, Campo Grande, Ponta Porã, Corumbá, Santarém, Marabá, Carajás, Altamira, Uberlândia, Uberaba e Montes Claros.

Em Congonhas, um dos aeroportos mais movimentados do mundo, os investimentos somam R$ 3,8 bilhões, destinados à duplicação da infraestrutura e à melhoria da capacidade operacional.

Chamada pública mira projetos de equity

Mercadante anunciou ainda que o BNDES pretende lançar uma chamada pública para projetos de equity em infraestrutura, inspirada na experiência da Chamada Pública de Mitigação Climática. A expectativa é que apenas 25% dos aportes sejam realizados por meio do BNDESPAR, com o restante vindo de recursos privados.

Ao encerrar o evento, Luciana Costa reforçou a avaliação positiva do ciclo atual. “Estamos aqui para celebrar um ciclo de investimento em infraestrutura que começou nesse país e é sustentável”, afirmou. “O BNDES, nesses últimos anos, mudou a forma de atuar no financiamento e passamos a financiar sem subsídio, mas com mais inovação na estruturação e participação do mercado”, concluiu.

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