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BNDES vai "entrar para valer" no mercado de ferrovias, afirma Mercadante

Banco prevê oito leilões ferroviários em 2026 e estima R$ 140 bilhões em investimentos, com condições de financiamento mais longas e maior carência

Rio de Janeiro (RJ), 22/05/2025 – O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende intensificar sua atuação no setor ferroviário e já desenha novas iniciativas para financiar projetos de infraestrutura sobre trilhos no país, segundo afirmou nesta segunda-feira (9) o presidente da instituição, Aloizio Mercadante. A estratégia inclui a criação de um produto específico para o segmento e mudanças nas condições de crédito para tornar os investimentos mais viáveis, informa o Valor Econômico.

Durante um seminário sobre infraestrutura realizado na sede do banco, no Rio de Janeiro, Mercadante indicou que os projetos ferroviários passarão a contar com prazos mais extensos e maior período de carência nos financiamentos concedidos pelo BNDES. “Nós vamos aumentar o prazo de financiamento e carência para a ferrovia. Vamos lançar um produto específico para financiar [o setor] e vamos entrar para valer nesse mercado”, declarou.

A fala do presidente do banco ocorre em um momento em que o governo busca ampliar investimentos em logística e infraestrutura para reduzir gargalos históricos no transporte de cargas. Mercadante avaliou que o país deve atravessar um período de expansão relevante no setor ferroviário, impulsionado por concessões e novos projetos.

Oito leilões previstos e expectativa de investimentos bilionários

Segundo Mercadante, o calendário do setor para 2026 prevê oito leilões de ferrovias, com uma estimativa de R$ 140 bilhões em investimentos associados aos projetos. O dirigente apontou que o cenário tende a se fortalecer nos próximos anos, criando um ambiente mais favorável para grandes obras e modernização da malha ferroviária.

Ao tratar do volume de recursos já em andamento, o presidente do BNDES destacou que o país acumula R$ 40 bilhões em investimentos (capex) em ferrovias no intervalo de três anos. “Estamos agora com R$ 40 bilhões de capex em ferrovias em três anos, e vem um ciclo forte de investimentos”, afirmou.

A expectativa do banco é que o novo ciclo contribua para ampliar a capacidade logística nacional, reduzindo custos de transporte e aumentando a competitividade do setor produtivo, especialmente em áreas dependentes do escoamento de commodities e produtos industriais.

Juros podem favorecer ambiente de negócios, avalia presidente do banco

Mercadante também comentou sobre o cenário macroeconômico e avaliou que a taxa de juros no país “está pronta para cair”, o que, segundo ele, tende a melhorar o ambiente de negócios e estimular investimentos em infraestrutura.

De acordo com o presidente do BNDES, um contexto de juros mais baixos pode facilitar a estruturação financeira dos projetos e aumentar o apetite do setor privado para participar de concessões e parcerias, especialmente em obras de longo prazo, como as ferrovias.

Com a promessa de condições de crédito mais atrativas e a previsão de uma agenda robusta de leilões em 2026, o BNDES sinaliza que pretende assumir papel ainda mais ativo na retomada e expansão do transporte ferroviário no Brasil.

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