Com alta do petróleo, governo sobe estimativa de inflação para 4,5% em 2026
Ministério da Fazenda manteve previsão de crescimento do PIB em 2,3% e atribuiu pressão inflacionária à alta dos combustíveis
247 - O governo federal revisou para cima a projeção da inflação oficial do Brasil em 2026 e passou a estimar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,5% neste ano, no limite máximo da meta estabelecida pelo Banco Central. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (18) no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda.
A atualização das estimativas ocorre em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio, que provocaram forte alta no preço internacional do petróleo. O barril da commodity opera acima de US$ 110, cenário que aumenta a pressão sobre os preços dos combustíveis e, consequentemente, sobre a inflação brasileira.
Em nota oficial, o Ministério da Fazenda explicou os fatores que motivaram a revisão da previsão inflacionária. “A perspectiva de maior inflação no ano reflete, principalmente, desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados. Contudo, as projeções também consideram que parte do impacto do choque nos preços do petróleo será contrabalanceada pelos efeitos do real mais apreciado, e por medidas mitigatórias adotadas pelo Governo Federal para conter o repasse do aumento dos combustíveis no mercado doméstico”, informou a pasta.
Desde o início de 2025, o Brasil passou a adotar o sistema de meta contínua de inflação, cujo centro da meta é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Com a nova estimativa oficial em 4,5%, a projeção do governo atinge exatamente o teto permitido pelo regime monetário vigente.
Apesar da revisão promovida pela equipe econômica, as projeções do mercado financeiro seguem ainda mais pessimistas. Analistas consultados pelo Banco Central estimam inflação de 4,92% ao fim deste ano, acima do limite da meta.
No mesmo relatório, o Ministério da Fazenda decidiu manter em 2,3% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. Caso o desempenho se confirme, a economia repetirá o mesmo ritmo de expansão registrado em 2025.
A Secretaria de Política Econômica avaliou que a composição do crescimento econômico sofreu alterações nos primeiros meses do ano. “No primeiro trimestre, a projeção agregada também foi preservada, embora com alterações de composição: a indústria passou a contribuir menos, os serviços ganharam participação e a agropecuária manteve sua contribuição em relação à projeção anterior”, destacou o órgão.
O documento também aponta desaceleração da atividade econômica ao longo dos próximos trimestres, reflexo dos impactos da política monetária restritiva adotada pelo Banco Central. Segundo a SPE, a recuperação mais consistente da economia deverá ocorrer apenas no último trimestre do ano. “Nos trimestres intermediários, o ritmo de crescimento deverá recuar, refletindo os efeitos defasados da política monetária restritiva, com recuperação prevista apenas no quarto trimestre, à medida que a indústria ganhe tração”, informou a secretaria.



