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Desemprego de longa duração recua 21,7% e alcança menor patamar desde 2012, diz IBGE

Segundo o IBGE, o número de brasileiros há mais de dois anos sem vaga de trabalho cai ao menor nível da série histórica

Lula e o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, no Palácio do Planalto (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
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247 - O número de brasileiros que procuram emprego há dois anos ou mais caiu 21,7% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e integram a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral.

Segundo a Agência Brasil, o levantamento aponta que 1,089 milhão de pessoas estavam nessa condição entre janeiro e março deste ano, o menor contingente já registrado desde o início da série histórica, em 2012. Em 2025, quase 1,4 milhão de brasileiros procuravam emprego havia pelo menos dois anos. O maior número foi registrado em 2021, durante a pandemia de covid-19, quando 3,5 milhões de pessoas estavam nessa situação.

Mercado de trabalho mais dinâmico

Os dados do IBGE também mostram redução em outras faixas de tempo de procura por emprego. Entre os brasileiros que buscavam vaga havia mais de um mês e menos de um ano, o total caiu 9,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025, chegando a 3,38 milhões de pessoas. Em 2021, o país chegou ao pico de 7 milhões nessa faixa.

Já o grupo que procurava trabalho havia mais de um ano e menos de dois anos recuou 9%, somando 718 mil pessoas. O maior volume também ocorreu em 2021, quando 2,6 milhões estavam nessa condição.

A única faixa que ainda não atingiu o menor nível da série histórica é a de pessoas desempregadas há menos de um mês. No primeiro trimestre de 2026, cerca de 1,4 milhão de brasileiros estavam nessa situação. Apesar da queda de 14,7% em relação ao ano anterior, o número permanece acima do registrado em 2014, quando havia 1,016 milhão de pessoas nessa condição.

Queda atinge diferentes faixas de procura

De acordo com o IBGE, os 6,6 milhões de desocupados do país estão distribuídos da seguinte forma:

  • 21,2% procuram emprego há menos de um mês
  • 51,4% buscam vaga entre um mês e menos de um ano
  • 10,9% estão desempregados entre um e menos de dois anos
  • 16,5% procuram trabalho há dois anos ou mais

Para o analista da pesquisa William Kratochwill, os números refletem um mercado de trabalho mais aquecido e com maior capacidade de absorção de trabalhadores. “As pessoas estão gastando menos tempo para se realocar. O mercado está mais dinâmico”, afirmou.

O pesquisador ressaltou, porém, que a redução do tempo de procura por emprego não significa necessariamente melhora na qualidade das vagas ocupadas. “Não necessariamente é melhora na qualidade do trabalho”, disse.

No fim de abril, o IBGE já havia informado que a taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2026 ficou em 6,1%, o menor índice da série histórica.

Trabalho por conta própria avança no país

A Pnad Contínua considera todas as formas de ocupação, incluindo empregos formais, informais, temporários e trabalho por conta própria. Pela metodologia do IBGE, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou emprego nos 30 dias anteriores à entrevista. A pesquisa visita cerca de 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

William Kratochwill também descartou que a queda do desemprego prolongado esteja relacionada ao desalento, situação em que a pessoa deixa de procurar trabalho por acreditar que não conseguirá uma vaga.

“A desistência é um ponto que já podemos descartar. O mercado de trabalho tem se mostrado persistente nas contratações e na manutenção do emprego”, declarou.

Outro fator apontado pelo pesquisador é o crescimento do trabalho por conta própria. Segundo a pesquisa, o Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com 25,9 milhões de trabalhadores autônomos, o equivalente a 25,5% da população ocupada. Em 2012, eram 20,1 milhões de trabalhadores nessa condição. “Eles tomam a iniciativa de ser seu próprio negócio”, concluiu Kratochwill.

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