Disparada do petróleo pode garantir R$ 40 bilhões extras ao governo federal em 2026
Equipe econômica trabalha com cenário conservador para evitar pressões por aumento de gastos e mitigar impactos da guerra na inflação
247 - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva projeta uma arrecadação adicional de cerca de R$ 40 bilhões em 2026 em razão da alta internacional do petróleo. A informação foi publicada pelo jornalista Fabio Graner, do jornal O Globo, e faz parte das discussões internas da equipe econômica para o próximo relatório bimestral de receitas e despesas da União.
Segundo integrantes do Executivo, o valor considerado atualmente adota uma postura conservadora. O número definitivo que será incorporado oficialmente ao relatório ainda está em fase de fechamento e poderá sofrer alterações até a divulgação do documento, prevista para a próxima segunda-feira, dia 24.
A avaliação dentro do governo é de que a valorização da commodity já tem provocado crescimento relevante na arrecadação federal e deve continuar produzindo efeitos positivos ao longo do ano. Ainda assim, integrantes da área econômica defendem cautela para evitar a percepção de que haveria espaço fiscal confortável para ampliação imediata de despesas.
Nos bastidores, há preocupação de que uma eventual leitura de “folga” nas contas públicas gere aumento das pressões políticas e setoriais por novos gastos ou benefícios tributários. O agronegócio aparece entre os setores citados nas discussões internas como potencial foco de demandas adicionais.
Outro fator que leva o governo a manter prudência nas projeções é o cenário internacional. Integrantes da equipe econômica consideram que a meta fiscal segue desafiadora mesmo com o avanço das receitas do petróleo. Além disso, o prolongamento da guerra no Oriente Médio permanece no radar do Executivo e pode exigir novas medidas para conter impactos inflacionários.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou recentemente que as medidas já adotadas pelo governo para reduzir os efeitos da alta dos combustíveis têm impacto estimado em R$ 13 bilhões em um período de dois meses. No entanto, técnicos do governo avaliam que os custos podem ultrapassar R$ 30 bilhões caso o conflito internacional se estenda por mais de quatro meses — hipótese que já começa a ser considerada dentro do próprio Executivo.
A preocupação do governo não se limita apenas aos combustíveis. O choque do petróleo também afeta outros setores da economia, especialmente alimentos, devido ao aumento dos custos de insumos e aos problemas logísticos provocados pelo conflito no Oriente Médio.
Nesse contexto, a equipe econômica já trabalha com a expectativa de um ciclo mais curto e gradual de redução da taxa de juros, diante do aumento dos riscos inflacionários.
De acordo com a secretária de Política Econômica, Débora Freire, o próximo relatório bimestral também deverá trazer uma revisão da projeção de inflação para 2026. Atualmente estimada em 3,7%, a taxa deverá subir, embora ainda permaneça dentro do limite de tolerância da meta, fixado em 4,5%.



