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Mercadante defende caminho próprio do Brasil para a transição energética

Presidente do BNDES afirma que país pode combinar petróleo, biocombustíveis, minerais críticos e baterias em uma estratégia nacional de desenvolvimento

Aloizio Mercadante (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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247 – O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o Brasil reúne condições para construir uma estratégia própria de transição energética, sem copiar modelos adotados por outras potências. Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, segundo o Brazil Stock Guide, Mercadante defendeu uma rota que combine biocombustíveis, veículos híbridos flex, minerais críticos, baterias, ampliação do refino e produção de petróleo.

A avaliação central de Mercadante é que o país não precisa seguir uma única trajetória tecnológica. Enquanto a China avançou rapidamente nos veículos elétricos, o Brasil, segundo ele, pode aproveitar vantagens já consolidadas, como o etanol, o biodiesel, a agricultura de grande escala e uma cadeia automotiva instalada no território nacional.

Biocombustíveis e indústria nacional

Mercadante citou o etanol de milho como exemplo da crescente integração entre agricultura e energia. Segundo ele, esse segmento já responde por cerca de 25% da produção brasileira de etanol.

O presidente do BNDES também destacou o biodiesel como alternativa para o transporte pesado. De acordo com Mercadante, o combustível pode reduzir em 92% a emissão de fumaça preta e em 62% as emissões de carbono, aproveitando plataformas de caminhões já existentes e exigindo menor adaptação tecnológica.

Ele afirmou ainda que o BNDES tem apoiado projetos de pesquisa e desenvolvimento com Volkswagen, Stellantis, Toyota e Bosch no Brasil. A rota híbrida flex, que combina eletrificação parcial com combustíveis renováveis, foi apresentada como uma forma de utilizar a infraestrutura atual e preservar parte da base industrial brasileira.

Petróleo, refino e segurança energética

A entrevista também tratou do papel do petróleo na política energética brasileira. Mercadante defendeu novos estudos e perfurações na Margem Equatorial, afirmando que o potencial geológico da região ainda precisa ser confirmado.

Ele comparou a possível relevância da área ao pré-sal, mas ressaltou que reservas só podem ser comprovadas quando a perfuração encontra petróleo. Mercadante também disse que a Petrobras opera em torno de 98% de sua capacidade e que o Brasil atingiu produção recorde de petróleo.

Ainda assim, ele defendeu a ampliação da capacidade de refino. Para Mercadante, exportar óleo cru e importar derivados deixa o país mais vulnerável a choques externos de preços.

Minerais críticos entram no centro da estratégia

Outro ponto destacado foi a disputa global por minerais críticos e terras raras. Mercadante afirmou que o Brasil detém cerca de 23% das reservas globais de terras raras, enquanto a China possui aproximadamente 45%.

Segundo ele, o país ainda precisa completar o mapeamento desses recursos e desenvolver uma cadeia industrial integrada. Lítio, nióbio e terras raras foram citados como insumos estratégicos para baterias, defesa, mobilidade elétrica e novas tecnologias.

De acordo com Mercadante, o BNDES analisa 58 projetos ligados a minerais críticos, com demanda estimada de crédito em cerca de R$ 50 bilhões.

BNDES como financiador da nova política industrial

Mercadante também defendeu o uso do crédito do BNDES em setores considerados estratégicos, como inovação, fertilizantes, infraestrutura, biocombustíveis, minerais críticos e renovação de frotas.

Segundo ele, apenas 23% da carteira de crédito do banco envolve algum tipo de subsídio, enquanto o restante opera sem subsídios diretos.

A fala indica que o BNDES deve seguir como um dos principais financiadores de projetos associados à transição energética, à segurança energética e à política industrial brasileira.

Uma transição híbrida para o Brasil

A mensagem central da entrevista foi a defesa de uma transição energética híbrida. Em vez de substituir rapidamente um modelo por outro, Mercadante propôs uma combinação entre petróleo, refino, biocombustíveis, eletrificação parcial, baterias e minerais críticos.

Na visão apresentada pelo presidente do BNDES, essa estratégia permitiria reduzir emissões, agregar valor aos recursos minerais, fortalecer a indústria nacional e preservar a soberania energética do Brasil.

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