Dólar sobe em sessão marcada por forte aversão ao risco
Moeda dos EUA avançou 1,59% e fechou a R$ 5,0664
247 - O dólar subiu diante da crise política no Brasil e da tensão externa, fechando a sexta-feira acima de R$ 5,05 em uma sessão marcada por forte aversão ao risco, e pressão sobre moedas emergentes. As informações são da Reuters.
Segundo a Reuters, o dólar à vista avançou 1,59%, a R$ 5,0664. Na semana, a moeda acumulou alta de 3,48%. No ano, ainda registra queda de 7,70%. Às 17h05, o contrato futuro para junho, atualmente o mais líquido na B3, subia 1,53%, a R$ 5,0815.
Exterior pressionou moedas emergentes
A moeda norte-americana ganhou força ante a maior parte das divisas no exterior. O movimento acompanhou a alta dos rendimentos dos Treasuries, em meio ao aumento das apostas de investidores de que o Federal Reserve terá de elevar juros para conter a inflação.
A percepção de risco ganhou força com a continuidade da guerra no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz ao transporte de petróleo e gás ampliou a preocupação com inflação global e abastecimento de energia.
Nesta sexta-feira, o petróleo Brent voltou a subir após Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, afirmar que sua paciência com o Irã está se esgotando. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que Teerã não tem “nenhuma confiança” nos EUA e só demonstra interesse em negociar com Washington em caso de postura séria.
A estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, resumiu o ambiente de mercado em comentário escrito.
“O pregão desta sexta-feira consolida um cenário de forte aversão ao risco (risk-off), com uma reprecificação agressiva de ativos globais frente à resiliência da inflação e tensões geopolíticas persistentes”, afirmou.
Real liderou perdas globais
O dólar também registrou altas expressivas ante moedas de países emergentes, como peso chileno, rand sul-africano e peso mexicano. O real, mesmo assim, apresentou o pior desempenho global na sessão e liderou as perdas entre as principais divisas.
Além do ambiente externo negativo, operadores acompanharam os desdobramentos do escândalo que liga Flávio Bolsonaro ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Na quarta-feira, o Intercept Brasil afirmou que Flávio pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para bancar um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. O senador nega irregularidades e sustenta que buscou recursos privados para um projeto privado sobre a história do pai, sem oferecer vantagem em troca.
No mercado, ganhou força a leitura de que a ligação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro pode aumentar as chances de reeleição do presidente Lula em outubro. Investidores veem a continuidade do governo Lula como um fator negativo para o ajuste das contas públicas.
Caso Refit ampliou pressão sobre o PL
O cenário político também recebeu novo elemento de tensão nesta sexta-feira. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em caso relacionado à refinaria Refit contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, também filiado ao PL e aliado de Flávio Bolsonaro.
No meio da tarde, com menor volume nas mesas de operação, o Intercept publicou nova reportagem sobre relações da família Bolsonaro com Vorcaro. O noticiário reforçou a pressão sobre ativos brasileiros em uma sessão já negativa para moedas emergentes.
O diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, afirmou que a sequência de notícias afetou o comportamento do câmbio.
“Foi uma coisa atrás da outra esta semana. Pegou o (noticiário) local aqui, estressou, e agora lá fora”, comentou.
Bergallo também citou a postura defensiva dos investidores antes do fim de semana.
“Essa aversão ao risco lá fora hoje, em relação à guerra, foi refletida no petróleo, e o mercado adota uma postura defensiva, ainda mais por ser sexta-feira. (Teremos) dois dias de noticiário pela frente -- e sem poder comprar ou vender (dólar)”, acrescentou.
Banco Central fez rolagem de swap cambial
Três profissionais ouvidos pela Reuters avaliaram que o noticiário envolvendo Flávio Bolsonaro reforçou a pressão sobre os ativos brasileiros, inclusive o real, em um pregão já marcado por fuga de risco no exterior.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho. A operação não alterou de forma relevante o comportamento das cotações ao longo do dia.
A combinação entre alta dos Treasuries, avanço do petróleo, tensão geopolítica e desgaste político no Brasil levou o dólar a encerrar a semana novamente acima de R$ 5,05, com o real no centro das perdas globais.



