Petróleo avança para o yuan em meio à crise no estreito de Ormuz, diz ministro russo
Anton Siluanov afirma que compradores chineses e outros países pressionados politicamente buscam alternativas ao dólar nas transações globais de energia
247 – Os pagamentos internacionais pelo petróleo estão deixando o dólar americano e migrando para o renminbi, a moeda chinesa, em meio à crise no estreito de Ormuz, afirmou o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov.
A declaração foi dada em entrevista à Sputnik Brasil, segundo a qual o bloqueio de fato do estreito pelo Irã e os ataques a países produtores de petróleo no golfo Pérsico vêm afetando a produção, as exportações e a segurança das transações globais de energia.
"Devido à situação no estreito de Ormuz, as transações pelo petróleo dos tradicionais pagamentos em dólares estão mudando para o renminbi. O que isso significa? Eventos dos últimos anos incentivaram os países a procurar instrumentos mais confiáveis. As moedas nacionais parecem ser preferíveis", disse Siluanov.
O estreito de Ormuz é uma das passagens estratégicas mais importantes do comércio mundial de energia. Antes do início do conflito iraniano, em 28 de fevereiro, cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia passavam pela região, responsável por aproximadamente um quinto dos fornecimentos globais de petróleo e gás.
Crise em Ormuz acelera busca por moedas nacionais
Segundo Siluanov, o uso do renminbi é impulsionado inicialmente pelos compradores chineses, mas o movimento pode se ampliar para outros países que enfrentam pressões políticas ou buscam reduzir a exposição ao sistema financeiro dominado pelo dólar.
"Em primeiro lugar, o renminbi é usado pelos compradores chineses, mas outros países também estão considerando esta moeda. Especialmente se enfrentarem pressão política", afirmou o ministro russo.
A mudança ocorre em um momento de tensão no golfo Pérsico. Ainda não houve acordo para desbloquear o estreito de Ormuz. Na segunda-feira (11), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a resposta de Teerã às propostas norte-americanas para um acordo de paz como completamente inaceitável.
Desdolarização ganha força no comércio de energia
As declarações de Siluanov reforçam a tendência de desdolarização nas relações comerciais internacionais, especialmente entre países que defendem maior uso de moedas nacionais em transações estratégicas.
Para Moscou, os acontecimentos recentes demonstram que o dólar se tornou um instrumento sujeito a riscos políticos. Nesse contexto, moedas como o renminbi passam a ser vistas como alternativas para liquidações comerciais, sobretudo em setores sensíveis como petróleo e gás.
Novo Banco de Desenvolvimento se reúne em Moscou
Siluanov falou sobre o tema às vésperas da reunião anual do Conselho de Administração do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), instituição ligada aos BRICS. O encontro será realizado pela primeira vez em Moscou, nos dias 14 e 15 de maio de 2026.
A reunião ocorre em um cenário de rearranjo financeiro internacional, no qual países emergentes buscam ampliar mecanismos próprios de financiamento, reduzir dependências externas e fortalecer o uso de moedas nacionais no comércio global.



