Durigan diz que "família Bolsonaro faz movimento contra o PIX" e afirma que governo vai defender sistema de pagamentos
Ministro da Fazenda afirma que sistema é patrimônio nacional e está fora de negociações comerciais com os EUA
247 - O governo federal elevou o tom na defesa do PIX após críticas formuladas pelos Estados Unidos ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (2) que a ferramenta representa um símbolo da soberania financeira nacional e não será incluída em qualquer negociação comercial.
Ao comentar o debate sobre o sistema de pagamentos, Durigan criticou a atuação da família Bolsonaro e associou as críticas ao PIX a interesses privados contrariados pelo sucesso da ferramenta. A manifestação ocorre em meio à investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que questiona práticas brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos. Entre os pontos citados está o modelo de funcionamento do PIX, desenvolvido e operado pelo Banco Central.
Durigan acusa família Bolsonaro de atuar contra o PIX
"Mais uma vez, a família Bolsonaro faz um movimento contrário ao PIX, e sobre a 301, e mais do que estar fora do debate, ele é símbolo da nossa soberania financeira, orgulho do país, do nosso povo. De fato, inovamos, geramos tecnologia cobiçada pelas regiões que querem um PIX. As pessoas usam com facilidade e interesses privados e particulares se sentem contrariados com essa abertura de meio de pagamento democrático", declarou o ministro. Segundo Durigan, o governo brasileiro não cogita discutir mudanças na estrutura do PIX em negociações com Washington. A posição, afirmou, é definitiva.
A manifestação Dario Durigan ocorre em meio á tensão entre Washington e Brasília, especialmente após a divulgação de um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que questiona o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil.
Governo reage às críticas dos Estados Unidos
Os questionamentos dos EUA integram uma investigação comercial que poderá embasar a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O governo estadunidense sustenta que determinadas práticas adotadas pelo Brasil restringem a concorrência e prejudicam empresas norte-americanas. Na avaliação do USTR, o Banco Central acumula as funções de regulador e operador do PIX, o que poderia favorecer o sistema em relação a outros meios de pagamento, especialmente os estadunidenses.
A reação do governo brasileiro foi imediata. O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, afirmou que o PIX está fora de qualquer possibilidade de negociação.
"O governo com muita transparência e não vai permitir jamais qualquer tema caro à soberania nacional como é o PIX, por exemplo, fique na mesa de negociação e não está na negociação, não há hipótese para isso. E nós vamos sempre possível demonstrar não atendo pro governo norte-americano orçamento do povo brasileiro qual a linha de esclarecimento e defesa do Brasil", declarou.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também saiu em defesa da ferramenta. "O PIX é um patrimônio nacional, uma conquista do povo, tecnologia a serviço da sociedade, economia, sem custos para população", afirmou.
PIX registra crescimento recorde
Enquanto enfrenta questionamentos externos, o sistema segue ampliando sua presença na economia brasileira. Dados do Banco Central mostram que o PIX movimentou R$ 35,36 trilhões em 2025, resultado 33,6% superior ao registrado em 2024, quando as transferências somaram R$ 26,46 trilhões.
O volume de operações também atingiu um novo recorde. Foram realizadas 79,8 bilhões de transações em 2025, contra 63,5 bilhões no ano anterior.
Em novembro do ano passado, durante as comemorações dos cinco anos da ferramenta, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Renato Gomes, destacou a ampla adesão dos brasileiros ao sistema. "É essencialmente quase todo adulto no país", afirmou.
Segundo ele, a velocidade da adoção surpreendeu as projeções iniciais e contribuiu para ampliar a inclusão financeira em todo o território nacional.
Banco Central prepara novas funcionalidades
O Banco Central também trabalha na ampliação das possibilidades de uso do PIX. Entre as novidades previstas para este ano está a Cobrança Híbrida, que permitirá a utilização de um mesmo QR Code para pagamentos via PIX ou boleto bancário.
Outra funcionalidade em desenvolvimento é o pagamento de duplicatas escriturais por meio do sistema, facilitando operações de antecipação de recebíveis e reduzindo custos para empresas.
O BC também avança na implementação do chamado split tributário, que permitirá o recolhimento automático de tributos em tempo real dentro do modelo previsto pela reforma tributária.
PIX internacional e parcelado estão no radar
Para os próximos anos, a autoridade monetária estuda a criação do PIX Internacional, que permitirá transferências instantâneas entre países por meio da integração de sistemas de pagamento.
Também estão em análise o PIX em garantia, voltado ao acesso a crédito por autônomos e empreendedores, e o PIX por aproximação em modo offline. Outra iniciativa em discussão é a regulamentação do PIX Parcelado. A proposta busca criar regras padronizadas para uma modalidade já oferecida por diversas instituições financeiras e ampliar o acesso ao crédito para milhões de brasileiros que atualmente não possuem cartão de crédito.



