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Em resposta a Trump, União Europeia prepara ‘bazuca comercial’ contra os EUA

Bloco europeu estuda instrumento anticoerção para reagir a medidas dos EUA, com possíveis sanções comerciais e restrições de mercado

European Commission President Ursula von der Leyen sits with U.S. President Donald Trump, after the announcement of a trade deal between the U.S. and EU, in Turnberry, Scotland, Britain, July 27, 2025 (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

247 - A União Europeia avalia a possibilidade de acionar o chamado instrumento anticoerção — apelidado de “bazuca comercial” — como resposta a tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio a disputas envolvendo a Groenlândia. O mecanismo foi criado para reagir a pressões econômicas externas consideradas coercitivas e permitir uma resposta proporcional, preservando empresas e consumidores do bloco. As informações são do UOL.

O objetivo do instrumento é induzir o fim de coerções econômicas impostas à União Europeia, calibrando as medidas conforme a gravidade, a duração e o impacto das ações sofridas pelo bloco. A UE reúne cerca de 450 milhões de habitantes e figura entre os principais polos econômicos do mundo, o que, segundo autoridades europeias, lhe confere capacidade de reação.

Em declaração sobre o tema, o ministro delegado para a Europa da França, Benjamin Haddad, ressaltou o alcance das ferramentas disponíveis. “Somos 450 milhões de pessoas, um importante ator econômico: temos ferramentas para nos proteger. O instrumento anticoerção nos permite retaliar quando um país nos ameaça: limitando o acesso aos nossos mercados, taxando serviços digitais ou suspendendo contratos públicos”, afirmou.

O uso da chamada “bazuca comercial”, no entanto, não é automático. O mecanismo só pode ser acionado após o fracasso de tentativas diplomáticas e depende de aval político dos Estados-membros da União Europeia. Mesmo após a aprovação, o pacote de medidas pode levar até três meses para entrar efetivamente em vigor.

Autoridades europeias avaliam ainda que a adoção de sanções desse tipo pode intensificar as tensões diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos. Internamente, o bloco também pode enfrentar efeitos colaterais, como escassez de determinados produtos e prejuízos para empresas europeias afetadas por eventuais retaliações cruzadas.

O regulamento prevê flexibilidade na aplicação das medidas. Em caso de uma solução integral ou parcial do conflito, o instrumento anticoerção pode ser suspenso, revogado ou ajustado, desde que haja nova aprovação dos países-membros da União Europeia.

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