Errou de novo: mercado financeiro previa inflação de 2025 fora da meta
Dados oficiais mostram IPCA abaixo do teto e desmentem projeções pessimistas feitas pelo mercado ao longo do ano
247 - As projeções do mercado financeiro para a inflação de 2025 voltaram a falhar diante dos números efetivamente registrados pela economia brasileira. Apesar das previsões reiteradas de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerraria o ano acima do limite máximo da meta, o resultado final ficou dentro do intervalo definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (9), e em contraste com as estimativas reunidas no Boletim Focus do Banco Central, a inflação oficial fechou 2025 em 4,26%, abaixo do teto de 4,5% estabelecido para o período. O desempenho também representou desaceleração em relação a 2024, quando o IPCA havia acumulado alta de 4,83%.
No início de 2025, o mercado projetava um cenário bem mais adverso. O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central em 6 de janeiro daquele ano indicava expectativa de inflação de 4,99% para o fechamento de 2025, acima da banda de tolerância. À época, analistas apontavam riscos associados à política fiscal, à atividade econômica aquecida e à depreciação cambial, além de alertarem para uma suposta desancoragem das expectativas em relação à meta central de 3%.
Os dados efetivos, no entanto, seguiram trajetória distinta. Em dezembro de 2025, o IPCA registrou alta de 0,33%, superior à variação de novembro (0,18%), mas inferior à taxa observada em dezembro de 2024 (0,52%). O resultado foi o menor para um mês de dezembro desde 2018, quando a inflação mensal havia sido de 0,15%. No acumulado do ano, o índice atingiu o menor patamar desde 2018, quando fechou em 3,75%.
O erro de avaliação do mercado não se limitou à inflação. No câmbio, as projeções também se mostraram distantes da realidade. Segundo o mesmo Boletim Focus de janeiro de 2025, a expectativa era de que o dólar encerrasse o ano cotado a R$ 6. O que se viu, porém, foi a moeda norte-americana fechando 2025 em torno de R$ 5,51, valor significativamente inferior ao previsto.
Os números consolidados de inflação e câmbio reforçam o descompasso entre as estimativas do mercado financeiro e o desempenho efetivo da economia brasileira ao longo de 2025, evidenciando mais um episódio em que previsões pessimistas não se confirmaram nos dados oficiais.



