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Fazenda prevê PIB de 2,3% em 2026 e cita ‘impacto relevante’ dos juros

Secretaria de Política Econômica aponta impacto da Selic de 15% sobre a atividade e mantém previsão de crescimento moderado

Sede do Ministério da Fazenda em Brasília 14/02/2023 REUTERS/Adriano Machado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O Ministério da Fazenda avaliou que a desaceleração do crescimento econômico brasileiro em 2025 reflete os efeitos da política monetária restritiva adotada para conter a inflação. Segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE), a manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado teve influência direta sobre o ritmo da atividade ao longo do ano.

De acordo com os dados apresentados, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançou 2,3% em 2025, resultado inferior ao registrado em 2024, quando a expansão foi de 3,4%.

Atualmente fixada em 15% ao ano — o maior nível em quase duas décadas —, a taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter a inflação e buscar o cumprimento da meta central de 3%, estabelecida para 2026 e para os anos seguintes.

Em nota, o Ministério da Fazenda afirmou que a desaceleração se tornou mais evidente na segunda metade do ano. “A perda de fôlego [da economia] tornou-se mais evidente no segundo semestre, quando a atividade permaneceu praticamente estável em relação ao primeiro. Não fosse a contribuição da agropecuária e da indústria extrativa, pela ótica da oferta, e do setor externo, pela ótica da demanda, a economia teria apresentado desempenho ainda mais fraco nos últimos dois trimestres de 2025”, informou a pasta.

A avaliação indica que setores específicos ajudaram a sustentar o desempenho agregado, especialmente a agropecuária e a indústria extrativa no campo da oferta, além do setor externo sob a ótica da demanda.

Projeções para 2026

Para 2026, a Secretaria de Política Econômica manteve a expectativa de crescimento de 2,3% para o PIB. O mercado financeiro, por sua vez, trabalha com uma estimativa mais conservadora, de 1,8%.

No cenário traçado pelo governo, a composição do crescimento deve apresentar mudanças. “Pela ótica da oferta, a expectativa é de desaceleração acentuada da agropecuária, compensada por maior ritmo de crescimento da indústria e dos serviços. Pela demanda, a expectativa é de maior contribuição da absorção doméstica comparativamente a 2025, contrabalanceada por menor contribuição do setor externo”, avaliou o Ministério da Fazenda.

O comunicado também projeta uma moderação gradual no ritmo da atividade ao longo do período seguinte. “Em seguida, deverá haver desaceleração gradual do ritmo de expansão da atividade, com a dissipação do efeito de políticas públicas sendo parcialmente compensada pela redução do custo no crédito [com a queda esperada na taxa básica de juros, a Selic]”, concluiu o governo.

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