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FGC vai votar plano para recompor caixa após perdas bilionárias com liquidação do Master

Conselho deve votar proposta que prevê antecipação de contribuições e aporte extra para cobrir cerca de R$ 50 bilhões em ressarcimentos

Banco Master (Foto: Divulgação)

247 - O Conselho de Administração do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) deve analisar ainda nesta semana um plano para recompor o caixa da associação, impactado pelo pagamento das garantias a investidores de instituições do grupo Master que foram liquidadas pelo Banco Central. A estimativa inicial aponta para a necessidade de levantar cerca de R$ 50 bilhões, valor considerado suficiente para cobrir os compromissos já assumidos e reforçar a liquidez do fundo diante de possíveis novos desdobramentos do caso. As informações são do Infomoney.

A preocupação central, além da cobertura das quebras já confirmadas, envolve eventuais efeitos em cadeia sobre outros bancos com algum grau de conexão com o grupo investigado por fraude financeira.

A proposta em discussão prevê a antecipação das contribuições ordinárias que os bancos fariam ao FGC nos anos de 2026, 2027 e 2028. Paralelamente, está prevista a criação de uma contribuição extraordinária, com prazo indeterminado, para acelerar a recomposição do caixa. Segundo interlocutores do setor, o desenho do plano busca reduzir o impacto imediato sobre a liquidez das instituições financeiras.

Hoje, o FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando o total de depósitos e créditos elegíveis — como CDB, LCI e LCA — em cada instituição ou conglomerado prudencial. Existe ainda um limite global de R$ 1 milhão por período de quatro anos, caso mais de uma instituição venha a quebrar nesse intervalo. Com a liquidação do Banco Master, Banco Master de Investimentos, Letsbank e Will Bank, a previsão é de ressarcimento de R$ 46,9 bilhões aos investidores.

Apesar desse valor, há avaliação de que o montante a ser captado pode superar os R$ 50 bilhões. O cálculo leva em conta não apenas os pagamentos diretos aos investidores, mas também o empréstimo concedido ao Master e a necessidade de o fundo se preparar para possíveis impactos adicionais em instituições relacionadas ao caso.

O FGC é sustentado pelas contribuições mensais das instituições associadas, que repassam regularmente 0,01% do total de seus depósitos elegíveis à garantia. No plano em análise, esses pagamentos mensais seriam antecipados em três etapas. A primeira prevê o adiantamento de 60 meses de contribuições, divididos em três parcelas a serem pagas entre março e maio deste ano. Em março de 2027, seriam antecipadas mais 12 parcelas, seguidas de outras 12 em março de 2028.

Esses valores adiantados, conforme a proposta, seriam remunerados pela taxa Selic. Além disso, o plano inclui uma contribuição extraordinária anual de 0,06%, por prazo indeterminado. Durante o período de antecipação das contribuições ordinárias, as instituições passariam a recolher mensalmente apenas essa parcela extraordinária. De acordo com estimativas de pessoas próximas às negociações, esse modelo permitiria levantar pouco mais de R$ 40 bilhões para o fundo.

Em paralelo, representantes do setor bancário mantêm conversas com o Banco Central sobre a possibilidade de utilizar recursos do compulsório para viabilizar os repasses antecipados ao FGC. Inicialmente, o pedido envolvia apenas os depósitos à vista, mas a discussão foi ampliada para incluir também os depósitos a prazo. Segundo um executivo ouvido nas negociações, caso a autorização seja concedida, os valores do compulsório destinados ao FGC não seriam remunerados pela taxa Selic.

Em nota oficial, o Fundo Garantidor de Crédito confirmou que as tratativas estão em andamento, mas evitou detalhar as alternativas em análise. “As discussões estão em andamento e uma deliberação deverá ocorrer no curto prazo. Em benefício das discussões, o FGC não comenta sobre as alternativas que estejam sendo avaliadas”, afirmou a entidade.

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