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FMI corta previsão do PIB do Brasil para 1,6% em 2026

Relatório do Fundo prevê crescimento menor no Brasil neste ano e aponta impacto de juros altos

Sede do FMI em Washington (Foto: REUTERS/Yuri Gripas)

247 - O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a estimativa de crescimento da economia brasileira para 2026 e, ao mesmo tempo, elevou a projeção para o ano seguinte, em um movimento que reforça a cautela com o desempenho do país no curto prazo. De acordo com o relatório Perspectivas Econômicas Mundiais (WEO), divulgado nesta segunda-feira (19), o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve avançar 1,6% em 2026, abaixo dos 1,9% previstos na edição de outubro, enquanto a expectativa para 2027 subiu para 2,1%, um acréscimo de 0,1 ponto percentual.

As estimativas do FMI divergem dos números projetados pelo governo federal e outras organizações. O Ministério da Fazenda trabalha com um crescimento de 2,4% da economia em 2026, número significativamente superior ao calculado pelo Fundo. Já o Banco Mundial revisou recentemente sua previsão para o Brasil, estimando uma expansão de 2% do PIB, após reduzir em 0,2 ponto percentual a projeção divulgada em julho.

Embora o FMI não detalhe, na nova edição do WEO, as razões específicas para o rebaixamento das expectativas para o Brasil, análises recentes de outros organismos ajudam a contextualizar o cenário. Na semana passada, o Banco Mundial afirmou que sua revisão levou em conta “os impactos das taxas de juros reais elevadas, dos ventos contrários relacionados ao comércio e da maior incerteza global”, fatores que também afetam economias emergentes como a brasileira.

No panorama regional, o Fundo ajustou ligeiramente para baixo a projeção de crescimento da América Latina e do Caribe em 2026, agora estimada em 2,2%, frente aos 2,1% calculados anteriormente. Para 2027, a previsão foi elevada em 0,1 ponto percentual, chegando a 2,7%. Segundo o relatório, a retomada mais consistente deve ocorrer “à medida que os países da região aproximam de seu potencial a partir de diferentes posições cíclicas”.

Em contraste com a revisão negativa para o Brasil, o cenário global apresenta sinais mais favoráveis. O FMI elevou a estimativa de crescimento mundial em 2026 de 3,1% para 3,3%, impulsionada principalmente pelo aumento dos investimentos em tecnologia. Para os economistas da instituição, o chamado “boom” nesse setor, com destaque para a inteligência artificial, tem sido suficiente para compensar os efeitos do choque comercial provocado pelas tarifas impostas por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, sobre o comércio internacional.

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